Arquivo / O Estado

Analistas entendem que posicionamento agressivo é um capítulo da
disputa pela empresa.

(AE) – A disputa pelo controle da Brasil Telecom chegou a um ponto tão crítico que os sócios da companhia não brigam mais para saber quem ficará no comando da operadora, mas, sim, para garantir um preço melhor na hora de vender suas ações.

Fundos de pensão, Citigroup e mais recentemente a Telecom Itália já falaram abertamente da intenção de sair do comando da BrT. Mas o mercado financeiro reage de forma bastante cautelosa à possibilidade de desistência do grupo italiano.

As negociações entre a Telecom Itália e o grupo formado por Citigroup e fundos sofreram o primeiro abalo quando os italianos fecharam um acordo para o fim de litígios e de garantia de compra das ações do Opportunity do banqueiro Daniel Dantas por 340 milhões de euros no final de abril. A partir daí, as conversas ficaram mais tensas e o preço pedido pelo Citi e as fundações aumentou significativamente diante do prêmio ofertado à fatia minoritária de Daniel Dantas.

Segundo analistas, o preço do acordo entre o grupo italiano e o Opportunity foi muito inflado e pode tornar o negócio inviável economicamente. A situação piorou quando veio à tona um novo acordo. Em março, os fundos se comprometeram a pagar R$ 1,3 bilhão pela participação do Citibank na Brasil Telecom e na Telemar. O acordo foi estruturado por meio de uma operação conhecida no mercado financeiro como ?put?. Esse mecanismo dá direito aos fundos de comprar as ações do banco americano por esse valor em um prazo máximo de três anos.

Segundo fontes que acompanham as negociações, o grande entrave hoje é o valor a ser pago na hora de um dos sócios deixar o controle da companhia. De um lado, a transação com Dantas colocou um preço mínimo para a participação de controle, no entendimento dos fundos e do Citi. Do outro, a Telecom Itália alega que o valor mínimo para transação estabelecido com a put é nviável.

O mercado interpretou a intenção da Telecom Itália de deixar o negócio como um sinal de que um desfecho do acordo com os fundos não está tão perto quanto se imaginava.

Ao contrário, o entendimento é de que a Telecom Itália continua sendo a principal potencial compradora.

Além disso, alguns comportamentos do grupo italiano também deixam margem para dúvida sobre a consideração de desistência da operadora fixa, apontam os analistas. O acordo fechado com Daniel Dantas prevê a compra da fatia do banqueiro após um acerto com os demais sócios ou, no máximo, num prazo de dois anos, a contar de abril. Paralelamente, os italianos não desistiram de continuar brigando pela compra do controle.

Tanto que a Telecom Italia entrou na Justiça carioca com uma ação para tentar invalidar o acordo de put entre fundos e Citi. Dessa forma, reduziriam os valores negociados.

Há pressões dos dois lados. A Telecom Itália entende que readquiriu seu direito de preferência na compra da Brasil Telecom ao encerrar os litígios com o Opportunity.

Fundos e Citi, por sua vez, têm a seu favor, até o momento, a preocupação dos italianos com o prazo dado pela Anatel para solução da problemática da sobreposição de licenças móveis entre TIM e BrT GSM.