O consumidor e o mercado podem colocar as barbas de molho. Tudo indica que, contrariando as expectativas mais otimistas, o Copom – que se reúne na semana que vem – não vai reduzir a taxa de juros, hoje em 26,5% ao ano. A informação está “nas entrelinhas” de declarações do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que avaliaram que a taxa de inflação ainda está em um nível preocupante e precisa ser combatida, o que significaria que o corte na taxa de juros pode ser adiado.

Parte do mercado começou a apostar na redução dos juros já na próxima semana, após IBGE, Fipe e Fundação Getúlio Vargas divulgarem quedas expressivas na inflação. Esses índices também elevaram a pressão de empresários e de membros do próprio governo – como o senador Aloizio Mercadante e o vice-presidente José Alencar – pelo corte de juros.

Porém, ontem, o diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn, jogou um balde de água fria nessas apostas ao dizer que a inflação não está fora de controle, mas que a taxa se manteve alta no primeiro trimestre do ano. Já o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, foi mais incisivo ao dizer que a inflação ainda resiste a cair. “O nível elevado de inflação ainda preocupa. Há uma inércia inflacionária que precisa ser combatida”, disse Appy.

Os dois representantes do governo não quiseram falar diretamente sobre a possibilidade de uma redução dos juros na próxima semana, quando o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) se reúne para avaliar a possibilidade de reduzir a taxa de Selic.

Mas ao falar sobre a política monetária do governo, o diretor do BC afirmou que repetiria a frase utilizada há três meses pelo governo para falar sobre o assunto. “É preciso serenidade, firmeza e paciência no combate à inflação”, diz Goldfajn.

Ele reconheceu que a queda na taxa de câmbio fez com que o mercado reduzisse as suas expectativas de inflação. Perguntado sobre a existência de uma taxa ideal para o câmbio do ponto de vista do governo, Goldfajn disse apenas que “existe alguma taxa de equilíbrio”.