Os juros reais deverão chegar a 5% no final de 2009, numa "queda espetacular", segundo a estimativa do diretor do centro de economia mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carlos Langoni. Em seminário sobre "o desafio da energia", realizado nesta segunda-feira (25) na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), ele demonstrou otimismo em relação à economia brasileira.

"Estamos com perspectiva de crescer mais com menos inflação, é uma combinação praticamente inédita no Brasil do pós-guerra", disse. Ele acredita que o País "sairá da ante-sala do crescimento sustentado" e terá crescimentos contínuos daqui para frente, podendo registrar uma expansão de 5% do PIB em 2008.

Apesar do otimismo, ele vê alguns riscos "para viabilizar esse cenário tão favorável". O primeiro, que considera improvável, é o de uma "descontinuidade recessiva" na economia mundial. Langoni destacou que o cenário externo atual é muito favorável, mas, ainda que o risco de mudança seja "relativamente pequeno" e o Brasil esteja hoje "mais protegido e blindado", um problema mais grave lá fora poderia tornar um pouco mais lenta a expansão econômica no País.

Outro risco, para o qual, segundo ele, há medidas preventivas, é o energético. "Nunca houve tanto capital disponível para investir no Brasil, com a perspectiva de diversificação de fontes de energia. É paradoxal que a ameaça a um crescimento mais elevado da economia brasileira esteja no setor energético", observou.

Para ele, é preciso "otimizar a interface" entre o setor público e privado na área energética, "com um marco regulatório consistente e previsível". Com essa providência, segundo Langoni "temos todas as condições para evitar que a escassez de energia impeça o Brasil de alcançar um novo padrão de crescimento contínuo e estável".

O diretor da FGV avalia que "não há crise de energia, podem haver problemas transitórios de ajuste entre oferta e demanda". Para ele, a tendência é que as restrições regulatórias "sejam minimizadas" e ocorram novos investimentos no setor. Com isso, apesar dos riscos, ele acredita que "o setor de energia deverá ser mais uma alavanca para o crescimento, e não uma restrição".