Um pedido pela redução na taxa de juros levou as centrais sindicais para as ruas em todo o País. Em Curitiba, a manifestação se concentrou no centro da cidade. Integrantes da Força Sindical do Paraná, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e União Geral dos Trabalhadores (UGT) se reuniram na Praça Santos Andrade e caminharam até a sede do Banco Central (BC), na Avenida Cândido de Abreu. As entidades queriam sensibilizar o Copom, que definiria ontem a nova taxa Selic.

Além dessa manifestação, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba paralisou as atividades em montadoras e outras empresas, na entrada dos turnos dos funcionários. Durante o turno da manhã, as manifestações foram realizadas em frente a quatro empresas que juntas empregam mais de 16 mil trabalhadores.

À tarde, as paralisações atingiram as fábricas da Volks e da Bosch, onde foram realizadas assembléias com a participação de cerca de dois mil funcionários em cada empresa. As ações realizadas ontem fazem parte de uma campanha nacional em defesa da manutenção de empregos, diante da crise econômica internacional.

O presidente da Força Sindical do Paraná, Sérgio Butka, comentou que as centrais sindicais pedem uma redução de, pelo menos, 2% na taxa de juros. “Juro menor e crédito mais barato podem fazer com que a economia ande mais e assim é possível garantir empregos”, explicou.

De acordo com ele, a paralisação nas montadoras pretendia chamar a atenção do trabalhador para não aceitar diminuição da jornada de trabalho com redução salarial.

Zenir Teixeira, da CTB, lembrou que a classe trabalhadora anda junto com a empresarial na briga por juros mais baixos. Esta foi uma das propostas apresentadas pelas centrais sindicais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início desta semana.

“Também queremos que todo o dinheiro público que seja investido nas empresas tenha como contra-partida a não demissão dos trabalhadores. Não seria justo”, avaliou. Em Brasília os manifestantes se concentraram diante da sede do Banco Central, onde estava sendo realizada a reunião do Copom, que discutia a nova Selic.

Entidades consideram que Copom foi sensato

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, considerou um avanço a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir em 1 (um) ponto percentual a taxa Selic.

Ele pondera, contudo, que haveria espaço para o Banco Central ser mais ousado. “A melhor sinalização de que há preocupação em evitar uma recessão no País seria reduzir a Selic em 2 pontos percentuais”, disse o empresário.

Segundo Rocha Loures, somente uma mudança de atitude do governo para enfrentar a crise será capaz de restabelecer a confiança da sociedade. “O momento é de união contra a recessão e o governo precisa assumir o compromisso maior de combater este risco propondo mudanças na política monetária, que se mostra obsoleta para o momento que vivemos, e promovendo a modernização da gestão pública”, afirmou.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou como “sensata e pragmática” a decisão do Banco Central de reduzir a taxa Selic em um ponto porcentual. “Denota a percepção da autoridade monetária em adequar a política monetária aos instrumentos de enfrentamento da crise econômica global e dos seus desdobramentos na economia brasileira, que se mostram mais intensos que o esperado”, diz a entidade em nota.

A redução da Selic, avalia ainda a CNI, vai ao encontro da “necessidade e urgência de se reduzir o custo do dinheiro, que se, encontra em patamar extremamente elevado e em desacordo com as necessidades dos agentes econômicos, sejam eles empresas ou famílias”.

A avaliação da confederação é de que a decisão atende aos anseios da sociedade, representa um primeiro movimento e “que cortes adicionais na taxa básica de juros deverão ocorrer proximamente”.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, disse que a redução da Selic em 1 ponto é uma demonstração de responsabilidade do Copom em relação ao atual cenário econômico.