Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Aviões da Varig continuam voando, não se sabe até quando.

A sobrevivência da Varig (Viação Aérea Riograndense) vai ganhando, todos os dias, novo fôlego. Pela segunda vez a VarigLog (que agora pertence a um grupo multinacional) fez ontem depósito na conta da empresa, para sobrevivência por mais 24 horas. Hoje a Justiça do Rio de Janeiro deve decidir se aceita a realização de um novo leilão (o primeiro, de apenas um lance, de funcionários da empresa, foi anulado).

A VarigLog apresentou uma proposta de compra da empresa. Na segunda-feira depositou R$ 8 milhões para pagamento de funcionários e alguns fornecedores (caso do combustível). Ontem, fez novo depósito, em valor não revelado, mas que poderia ser de R$ 12 milhões (completaria R$ 20 milhões prometidos como alívio de caixa). A ex-subsidiária se comprometeu a fazer depósitos de até US$ 20 milhões na conta da Varig até a definição do leilão.

Em contrapartida aos depósitos, a Varig tem dado à VarigLog notas promissórias. Elas se transformarão em ?dinheiro vivo? em caso de novo leilão, que pode acontecer já na semana que vem, dependendo de decisão da Justiça. Se um novo comprador arrematar a empresa, a VarigLog receberá o dinheiro de volta, acrescido de 10%.

Hoje a Varig enfrenta ao menos duas decisões importantes. Na primeira delas, a VarigLog tem de apresentar à Justiça os detalhes da proposta de compra da companhia aérea, de US$ 485 milhões em investimentos na nova companhia, sem considerar as dívidas com credores. Desse total, 90% ficariam com a ex-subsidiária de transporte, 5% com a antiga Varig e 5% com os trabalhadores.

A expectativa é que a Justiça se posicione sobre a viabilidade da proposta e determine se convoca ou não uma assembléia de credores para analisá-la e um eventual novo leilão. Outra hipótese é a decretação de falência, embora o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8.ª Vara Empresarial, tenha dito repetidas vezes que crê na continuidade das operações da empresa.

Na outra decisão que deve sair também hoje, o juiz Robert Drain, da Corte de Falências de Nova York, decide os rumos das conversas entre a companhia aérea brasileira e as empresas de leasing. As empresas se queixam da falta de pagamento da Varig e tentam reaver as aeronaves.

Na semana passada, Drain havia condicionado a prorrogação da liminar que protege os aviões da Varig de arresto, ao pagamento de US$ 75 milhões pela NV Participações, que arrematou a empresa em leilão no início de junho. Como a empresa, ligada ao TGV (Trabalhadores do Grupo Varig), não depositou o dinheiro, a Justiça brasileira decidiu anular a venda.

Empresa deposita salário atrasado

Rio (ABr) – A Varig depositou ontem mais duas parcelas de salários atrasados para os funcionários que recebem mais de R$ 800 por mês. As parcelas têm valor de R$ 400, cada, e são referentes aos meses de abril e maio deste ano.

Segundo a assessoria de imprensa da Varig, no dia 9, foi feito um depósito de R$ 1 mil, relativo a abril, para cada um desses trabalhadores, e os empregados que tinham ainda algum saldo desse mês para receber foram pagos ontem.

A assessoria da Varig informou também que a empresa continua em negociação com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, visando estabelecer um cronograma de pagamento pelo fornecimento de combustível para seus aviões pelo menos até o final de julho próximo. A Varig tem que efetuar antecipadamente o pagamento à BR para receber o querosene de aviação.

De acordo com a assessoria, a distribuição do combustível da BR para as aeronaves da companhia aérea teria sido estendida por mais 24 horas (até o final do dia de hoje). A informação foi confirmada pela BR Distribuidora.

Sindicato promete ?discussão árdua?? por empregos

Rio (ABr) – O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) defendeu a manutenção e a qualidade dos empregos e do fundo de pensão da Varig pelos possíveis novos compradores da companhia aérea. A Justiça do Rio de Janeiro analisa proposta de compra da ex-subsidiária da Varig, VarigLog, recentemente adquirida pela Volo, empresa ligada a investidores norte-americanos e brasileiros.

?Se a proposta da VarigLog ou da Volo for diferente desses três pontos [manutenção e qualidade do emprego e do fundo], nós vamos discutir arduamente?, avisou a presidente do sindicato, Graziella Baggio, que espera a apresentação da proposta de compra para opinar sobre um eventual enxugamento do quadro de funcionários da Varig. ?É interesse que a empresa se mantenha, claro, mas nós não vamos deixar de discutir e encontrar o caminho para solução desses três problemas.?

Graziella destacou que ?para qualquer sindicato demissões e mudanças na qualidade de emprego são extremamente temerárias?. A presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas lembrou também que não deve ser esquecida, no caso da Varig, a questão do fundo de pensão Aerus, atualmente sob intervenção federal. ?O plano que foi aprovado no dia 9 de maio prevê que quem adquirir a Varig se responsabiliza pelo pagamento do fundo de pensão.?

Baggio disse que não é novidade a possibilidade de demissão de 2,9 mil empregados da Varig, supostamente prevista na proposta da VarigLog ou de sua nova controladora. A projeção coincide com o número que a NV Participações, vencedora do leilão judicial da Varig realizado no último dia 8, defendia para a recuperação da empresa.