Foto: Lucimar do Carmo

Emir (com Andréa, ao fundo): sem saber os motivos.

A Justiça acatou ontem o pedido de falência interposto contra a rede de farmácias Drogamed na 3.ª Vara da Fazenda Pública e de Falências e Concordatas de Curitiba.

A informação foi dada pelo presidente do Sindicato dos Farmacêuticos no Estado do Paraná (Sindifar), Emyr Franceschi, no início da noite desta sexta-feira. Agora, os cerca de 750 funcionários da rede, dentre eles 120 farmacêuticos, esperam reivindicar seus direitos. No feriado de 1.º de Maio, as 78 lojas Drogamed de Curitiba e região metropolitana amanheceram fechadas.

Antes de tomar conhecimento da decisão, o presidente do Sindifar explicou que ainda não tinha qualquer posicionamento oficial da Drogamed sobre o que levou ao fechamento das lojas e, na seqüência, o pedido de falência. As farmácias estavam com poucos produtos nas prateleiras, mas os salários estavam sendo pagos em dia. Um único problema ocorreu no mês passado, quando os salários referentes ao mês de março não foram pagos no quinto dia útil de abril. No entanto, os valores foram depositados em parcelas e os funcionários receberam tudo até o 15.º dia útil. De acordo com o sindicato, a justificativa da Drogamed para o atraso nos salários seria um bloqueio de valores da empresa devido a ações judiciais esparsas.

A assessora jurídica do sindicato, Andréa Canisso Trevisan, conta que a Drogamed atrasou também, em 2007, os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A situação chegou a preocupar e o sindicato fez uma intervenção. Mas a empresa propôs o parcelamento destes valores e a Caixa Econômica Federal deferiu a solicitação porque a Drogamed estava em recuperação financeira. O parcelamento acertado será de 12 anos. Mesmo com estas situações, o fechamento total das lojas acabou surpreendendo, pois não havia indícios oficiais sobre esta medida.

Negociações

O sindicato diz que pretende negociar o pagamento dos salários referentes ao mês de abril para o quanto antes. Posteriormente, deve acompanhar os termos de rescisões de contrato, as baixas nas carteiras de trabalho e os direitos dos funcionários. Somente com isto é possível entrar com ações reclamatórias e o pedido de Seguro Desemprego para os trabalhadores que não conseguirem imediatamente outro posto.

Para esta segunda-feira, está pré-agendada uma reunião entre os sindicatos dos farmacêuticos e do comércio para discutir a situação. Também nesta ocasião, segundo informações do presidente do Sindifar, a Drogamed deve divulgar um comunicado oficial sobre o assunto. ?Eles (a Drogamed) estão receosos em falar sobre isso agora?, disse, logo após comunicar a decisão judicial. De fato, a reportagem tentou contato durante todo o dia com a presidência da rede e com seu representante jurídico, mas sem sucesso. Na central de atendimento, quem atende ao telefone é a vigilância, que informa não haver ninguém do setor administrativo. A Drogamed estava no mercado paranaense há mais de 20 anos.