A empresa de armazenagem e movimentação de granéis Kepler Weber informou nesta segunda-feira, 17, que o resultado do segundo trimestre de 2015 foi influenciado pela situação político-econômica do País. “O cenário político-econômico do Brasil não é um cenário propício para o investimento”, disse o vice-presidente da empresa, Olivier Colas. Ele assinalou que a mudança no Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) no Plano Safra 2015/16, que envolveu redução no volume de recursos e aumento da taxa de juros, não teve impacto significativo nas vendas do primeiro semestre, uma vez que a liberação de recursos do novo plano começou em julho.

O Plano Safra 2015/2016 prevê redução dos recursos destinados para armazenagem agrícola de R$ 4,5 bilhões para R$ 2,4 bilhões e elevação da taxa de juros de 4% ao ano para 7,5% até 9,5% ano. Colas ponderou, todavia, que, apesar do PCA menos atrativo, o déficit de armazenagem e a perspectiva de aumento da produção de grãos do País devem contribuir para sustentar a demanda por armazenagem. “Se não for feito nada, esse déficit vai aumentar”, disse Colas. Na visão do executivo, em um quadro de preços das commodities mais baixos, produtores podem dar preferência a investir em estocagem. “Em termos de tratores, o Brasil já tem um parque razoável. Não há déficit de tratores na mesma proporção que há déficit de armazenagem.”

Ainda assim, o segmento de armazenagem da companhia sofreu mais do que os demais no primeiro semestre de 2015, segundo Colas, enquanto os setores de movimentação de granéis e reposição e serviços tiveram crescimento expressivo. “Normalmente, em períodos de maior cuidado com investimentos e diminuição do capex, tende-se a investir mais na manutenção do estoque existente.”