A normalização da economia norte-americana, já mostrando algum crescimento, eminência de elevação da taxa básica de juros pelo Federal Reserve e a desaceleração da economia chinesa colaboram para a manter o câmbio sob pressão no Brasil. A avaliação é do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, e foi aparentada a uma plateia de advogados filiados ao Instituto de Advogados de São Paulo (IASP).

De acordo com Loyola, a economia americana ainda se ressente da crise de 2008, mas já dá sinais de recuperação, já reduziu a expansão de moeda e já sinaliza com aumento de juros. Com relação à China, ele diz que a desaceleração do crescimento chinês contribui para reduzir os preços dos produtos primários e a entrada de dólares no País num cenário em que a moeda norte-americana se valoriza perante quase todas as outras divisas do mundo.

Outro fator que ajuda a pressionar o dólar é a dificuldade da economia europeia em crescer, em especial a zona do euro. Para Loyola, diante destes fatores, o câmbio tende a se manter volátil por conta, entre outros fatores, da piora nos termos de troca.

“Com isso, a balança comercial terá uma recuperação lenta por causa das dificuldades de nossos parceiros”, disse. Para o ex-presidente do BC, a despeito do dólar valorizado, o Brasil não vai se beneficiar da abertura de novos mercados.

Impeachment

De acordo com Loyola, um eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff não é considerado no cenário mais provável da Tendências Consultoria Integrada. “Não consideramos impeachment da presidente Dilma no nosso cenário mais provável”, disse. No entanto, emendou “vemos um governo fraco, sendo desafiado por todas as forças políticas”, afirmou. Para Loyola, o que se verá é um governo mais reativo às críticas.