Foto: Valquir Aureliano/O Estado

Movimentação de contas dá lucro recorde ao Bradesco.

O Bradesco, maior banco privado brasileiro, fechou o ano passado com lucro líquido recorde de R$ 5,514 bilhões, um crescimento de 80,2% em relação aos R$ 3,060 bilhões de 2004. Segundo a consultoria Economática, o lucro é o maior registrado por um banco de capital aberto da América Latina. A rentabilidade das ações do Bradesco foi a mais elevada dos 50 maiores bancos de América Latina e Estados Unidos. O ganho por ação ficou em R$ 5,63. O retorno sobre o patrimônio líquido médio foi de 32,1%, ante 22% em 2004.

Só no quarto trimestre do ano o lucro foi de R$ 1,463 bilhão, com crescimento de 38,3% em relação ao mesmo período de 2004. As receitas da intermediação financeira do Bradesco em 2005 somaram R$ 33,7 bilhões, o que representa expansão de 28,6% na comparação com o ano anterior. As despesas da intermediação financeira subiram 26,6%, para R$ 16,419 bilhões.

A provisão para créditos de liquidação duvidosa ficou em R$ 2 507 bilhões no ano passado, com 22,8% sobre 2004. As receitas de prestação de serviços subiram 26,2%, para R$ 7,349 bilhões. O banco obteve lucro operacional de R$ 7,853 bilhões em 2005, um crescimento de 90,7%. No fim do ano, o patrimônio líquido estava em R$ 19,409 bilhões, 27,6% superior ao apresentado no fim de 2004.

A carteira de crédito do Bradesco alcançou R$ 90,8 bilhões em 2005, com evolução de 28% no ano. O melhor desempenho ficou com a carteira de pessoa física, que subiu 56,8%. No portfólio de pessoa jurídica, a expansão foi de 15,2% no ano, especialmente por causa das operações de capital de giro, repasse do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conta garantida e veículos. Considerando apenas as operações para pequenas e médias empresas, houve aumento gradual na demanda por crédito, de 24,8% no ano. No caso das grandes corporações, o acréscimo foi de 7,3% no ano.

Expansão

O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, espera expansão de 25% para a carteira de crédito total da instituição neste ano, após aumento de 28% em 2005. "O crédito está muito ligado ao ritmo da economia e tudo indica que essa continuará em crescimento", afirmou.

Para o executivo, o segmento que terá melhor desempenho será o de pessoa física, seguindo a tendência do ano passado. "Com a melhoria do emprego e da renda, as pessoas continuarão a demandar crédito."

Ele acredita que as operações de crédito com desconto em folha de pagamento, por exemplo, continuarão em expansão."Ainda há muito espaço para crescer em empréstimo consignado, tanto para aposentados como para funcionários dos setores público e privado "

Cypriano acredita que também haverá em 2006 importante avanço nas operações para pequenas e médias empresas. Já as grandes corporações, segundo ele, deverão preferir o mercado de capitais para financiamento das atividades.