São Paulo

(Das agências) – O único argumento que o governo possui nesta eleição presidencial é o do ‘terrorismo econômico’, disse ontem o candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele criticou as avaliações recentes de analistas e alguns membros do governo que relacionam as turbulências vividas pelo mercado financeiros às incertezas que poderiam ser gerados numa eventual vitória da oposição.

Para justificar que a instabilidade econômica e a fuga de capital não é apenas uma condição do momento eleitoral, Lula lembrou que em janeiro de 1999, em apenas um dia, cerca de US$ 6 bilhões deixaram o país. Sobre o empréstimo de US$ 10 bilhões do FMI ao Brasil, anunciado anteontem pela equipe econômica do governo com o objetivo de acalmar o mercado, Lula questionou: “Durante quanto tempo o FMI ficará emprestando dinheiro para nós?”

Para ele, a tomada de recursos não é necessariamente uma solução para os problema esconômicos atuais. “Estamos fazendo passivo para aumentar o passivo”.

Lula disse que sua candidatura mudará a política econômica que ele classifica como `perversa’.

Já o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, classificou como exageradas as incertezas que vêm afetando o mercado nas últimas semanas. “Tem tido muito exagero, exagero do mercado internacional com relação ao quadro econômico brasileiro. Os fundamentos da economia estão bem”, ponderou. O tucano criticou também a inclusão das pesquisas eleitorais nas análises de riscos do país.

“Eu sempre fui crítico da inclusão nas análises de riscos das pesquisas eleitorais”, reforçou lembrando que César Maia, prefeito do Rio, perdeu inclusive a pesquisa de boca de urna nas eleições em que se saiu vitorioso. Serra acrescentou que ‘não crê’ que o Brasil possa se tornar uma Argentina.

Aos investidores que estão apostando na alta do dólar, Serra disse que eles vão perder dinheiro. O tucano comentou que “não vejo tanto fôlego para o dólar subir indefinidamente. Quem está apostando na alta do dólar vai perder dinheiro mais cedo ou mais tarde”. Ele também rebateu as afirmações de que a dívida pública brasileira cresceu dez vezes nos últimos anos. Pelos seus cálculos, a dívida subiu de 30% para 50% do Produto Interno Bruto. Na avaliação de Serra, os principais problemas são os juros altos e o prazo dessa dívida, que poderá ser alongada no próximo governo.

“A dívida brasileira não é grande. O problema é a taxa de juros e o prazo. Mas com um governo com credibilidade e um programa coerente esse alongamento da dívida vai acontecer”, con cluiu Serra.