Um dia depois de encontrar-se com os chefes de governos da Grécia, George Papandreou, e da Espanha, José Luis Zapatero, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disparou críticas contra a União Europeia, questionou o falta de controle sobre o sistema financeiro internacional e levantou dúvidas sobre a capacidade decisória do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo). Lula também atacou o tempo de reação da Alemanha na crise dos déficits e disse que seu governo fez tudo o que precisava para enfrentar a recessão em três meses.

Em tom de ufanismo em relação ao Brasil e de dura reprovação sobre a Europa, Lula discursou a uma plateia de políticos, empresários e diplomatas presentes ao seminário “Aliança para a Nova Economia Global”, promovido na capital espanhola pelos jornais El País e Valor Econômico. Enfatizando temas econômicos – mesmo em meio à crise diplomática gerada em torno do acordo com o Irã -, o presidente destacou repetidas vezes a saúde financeira da América Latina, e em particular de seu país. “O Brasil se transformará em uma grande potência econômica”, previu, em meio a louvores a seu governo.

Entre um e outro autoelogio, Lula apertou o gatilho. Primeiro, usou uma metáfora para comparar a crise ao vulcão islandês que pode jogar cinzas sobre a Europa a qualquer momento, paralisando o tráfego aéreo. A seguir, questionou: “Alguém poderia me responder por que a Alemanha demorou tanto tempo para ajudar a Grécia? Como pode a Europa tão poderosa demorar três meses para resolver o problema da Grécia? É porque os países perderam o poder de fazer política monetária e estão dependendo de uma decisão coletiva, que de coletiva não tem nada. É quase que individual, porque quem tem mais dinheiro termina tomando a decisão”, disse.