O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje o fim da “ditadura” das agências de classificação de risco, durante o encontro entre os líderes do G-8 (grupo das sete economias mais industrializadas e a Rússia) e do G-5 (Brasil, China, Índia, México e África do Sul), em L’Aquila, na Itália. Segundo o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, Lula argumentou que as consultorias privadas de rating estão mais permeáveis a interesses econômicos e expôs sua convicção de que poderiam ser substituídas por agências públicas que, a seu ver, são mais isentas para qualificar o risco das economias.

Não se tratou do primeiro ataque de Lula às agências. Desde o ano passado, em vários discursos, o presidente vem criticando duramente o fato de várias consultorias terem mantido classificações mais favoráveis à economia americana, mesmo depois do estouro da crise financeira que teve epicentro naquele país. Sua ponderação, entretanto, não chegou a figurar no documento final do encontro do G-8 e do G-5.

Diante de uma plateia mais eclética, Lula omitiu uma das propostas que defendeu com entusiasmo até a cúpula dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), em junho passado, na Rússia – a eliminação do dólar como moeda internacional de referência. O presidente mencionou, discretamente, o empenho de seu governo para que seja adotado o mecanismo de comércio em moeda local com países como a China, a Índia e os vizinhos sul-americanos – alternativa que, a rigor, tem potencial de substituir o dólar nas trocas entre esses parceiros.

Lula enfatizou também a necessidade de aprofundamento da cooperação entre os países em desenvolvimento – em especial, entre os membros do Foro Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e do G-5 -, como forma de garantir uma recuperação mais rápida desses países, “menos à sombra” das economias desenvolvidas. Ele enumerou ainda as iniciativas adotadas pelo País antes e depois da crise e reforçou sua defesa de uma reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial que possa alterar a composição acionária dessas instituições e acabar com a ideia de que são “condomínios” dos europeus e americanos, segundo Marco Aurélio.