O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu hoje que “não existe mágica na economia” para explicar as recentes medidas adotadas pelo governo para conter a valorização do real. Segundo ele, “estamos vivendo momento auspicioso”, lembrando que, no mês de setembro, entraram US$ 16 bilhões no Brasil, quando em outro tempo entravam US$ 10 ou US$ 12 bilhões por ano no País.

“É muito importante saber que, quando eu entrei no governo, a gente tinha US$ 16 bilhões de reservas e US$ 30 bilhões emprestados do FMI (Fundo Monetário Internacional) e que hoje, nós recebemos US$ 16 bilhões de investimentos por mês e é, por isso, que nós aumentamos o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)”, disse, classificando como correta a medida do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em seguida, reforçou que “tomaremos tantas quantas medidas forem necessárias para não permitir que o real se valorize muito em relação ao dólar”.

“É importante lembrar que o problema não é do Brasil. O problema é que todas as moedas do mundo estão se valorizando diante do dólar porque os Estados Unidos precisam encontrar uma forma de recuperar sua economia”, disse. “Não é possível que a maior economia do mundo, ou as maiores, tanto a europeia quanto a americana, que sabiam de tudo quando os países pobres é que tinham crise, não saibam como resolver a sua própria crise. Se pedissem ajuda, a gente poderia contribuir”, acrescentou.

Questionado sobre de que forma o País poderia contribuir, Lula respondeu que os países desenvolvidos deveriam fazer as coisas que o Brasil fez. “O que nós fizemos quando veio a crise econômica? Nós fizemos muito mais infraestrutura. Nós reduzimos os impostos para que aumentasse o consumo, nós criamos as condições para que o povo brasileiro pudesse consumir mais. Foi isso que recuperou a indústria brasileira”, disse, lembrando também da ampliação do crédito interno.

“Eu acho que o mundo precisa compreender o seguinte: não é possível que o mundo rico não resolva seus problemas, porque, quando o mundo rico sofre, é verdade que ele sofre, mas quem mais sofre é o mundo pobre, na África”, acrescentou. Lula disse ainda que a América Latina vive um momento excepcional e que o Brasil hoje serve de exemplo para qualquer outro país. “Nós nunca tivemos a autoestima que temos hoje no nosso país”.