O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de uma meta de crescimento para a economia brasileira e elogiou a proposta da CUT (Central Única dos Trabalhadores) estudada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) de criação de um “pacto social” entre trabalhadores e empresários para sustentar a expansão da economia.

Durante o programa de rádio “Café com o Presidente”, transmitido ontem (o programa é transmitido a cada duas semanas pela Radiobrás), Lula sinalizou que a equipe econômica não pode definir políticas para o Brasil apenas com base nos números da inflação.

“É tudo que eu acho que deve acontecer no Brasil: a construção de um novo contrato social, em que a gente possa estabelecer metas de crescimento, metas de inflação, em que a gente possa ver esse país crescer mais harmonicamente e que o resultado da riqueza seja distribuído de forma mais eqüânime, muito mais justa”, afirmou Lula.

Hoje o Banco Central utiliza os dados de inflação para determinar a taxa básica de juros brasileira (Selic). Caso haja necessidade de conter a inflação para atingir uma meta anual anteriormente fixada, o BC eleva os juros. O efeito colateral é o desaquecimento da economia e o aumento do desemprego.

Por isso, críticos da política econômica costumam defender que o BC passe a considerar em suas decisões de política monetária não apenas as metas de inflação mas também metas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas por um país). Ontem foi a vez de Lula defender a meta de crescimento. O presidente relacionou essa proposta às discussões entre CUT e Fiesp para a criação de um “pacto social” entre trabalhadores e empresários.

“Eu, quando pego o jornal e vejo que o movimento sindical dos trabalhadores e o movimento sindical dos empresários, no caso a CUT e a Fiesp, se encontram e começam a discutir a possibilidade de construção de um acordo para apresentar, para discutir com o governo, é tudo que eu acho que deva acontecer no Brasil”, afirmou Lula.

Na proposta de “pacto social” da CUT, ainda em estudo pela Fiesp, os empresários se comprometeriam a não fazer grandes reajustes de preços para não levar o BC a aumentar os juros. O setor financeiro daria sua contribuição reduzindo as taxas de juros cobradas pelos bancos. Já o governo diminuiria impostos para investimentos produtivos e para a concessão de empréstimos.

Os trabalhadores, por sua vez, reduziriam as pressões por aumentos salariais. A reação negativa mais imediata à proposta da CUT veio de outras centrais sindicais, como Força Sindical e CGT, que acham que o trabalhador poderia sair perdendo com o pacto ao deixar passar uma boa chance de reivindicar recomposição das perdas salariais em um momento de crescimento da economia.

Mágica

Por último, o presidente voltou a afirmar que não vai fazer “mágica”, “aventura” ou “bricandeira” com a economia. “Porque já foi feito nesse país. Esse país já acordou um dia achando que era Primeiro Mundo e três dias depois era Terceiro Mundo.”

E Lula finalizou afirmando acreditar que o crescimento da economia de 4,2% no primeiro semestre é “sustentável” e representa o resultado de um trabalho que começou há cerca de um ano e meio e que incluiu medidas como o empréstimo com desconto direto em folha de pagamento e o aumento dos investimentos em saneamento.