O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar na próxima quarta-feira o Plano da Safra 2007/08, com a definição das regras para o financiamento de custeio, comercialização e investimento, produção e volume de recursos a serem colocados à disposição dos agricultores. O Plano de Safra deve ser submetido ao Conselho Monetário Nacional (CMN), cuja reunião está prevista também para depois de amanhã.

Para o setor agrícola, a definição do Plano de Safra vem em cima da hora, uma vez que o início oficial do plantio é em 1º de julho. No ano passado, o governo conseguiu divulgar o plano ainda em maio, o que permitiu, na avaliação de fontes do setor, um melhor planejamento da produção pelos agricultores.

Para o Plano 2007/08, as negociações têm sido intensas e vêm sendo conduzidas por um grupo de trabalho que inclui representantes de técnicos dos ministérios da Agricultura e da Fazenda, membros da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e técnicos da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB).

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, tem mantido reuniões com a bancada ruralista na Câmara e Senado e com dirigentes de entidades do setor. Para pressionar o governo a tomar uma decisão rápida e identificada com as reivindicações do setor, a bancada ruralista terá na próxima semana encontro com o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia. Também marcou para a terça-feira um café da manhã com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A expectativa do setor agrícola é de que o Plano de Safra contemple a redução da taxa de juros e a ampliação de recursos de financiamento e custeio da safra. O plano da Safra passada previu recursos de R$ 50 bilhões. Para este ano, a expectativa do setor é de que haja uma ampliação de 15% no volume dos recursos. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defende a liberação de R$ 90 bilhões para o financiamento do custeio, comercialização e investimento da safra 2007/08.

Permanece indefinida a questão dos juros dos financiamentos. O setor espera um corte na taxa – de 8,75% para 4,5% ao ano, como mostra documento com propostas apresentadas a Stephanes pela CNA mas o governo acena com um corte de um a dois pontos porcentuais. O argumento dos produtores é de que o juro deveria acompanhar a tendência de queda Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que, de junho de 1997 até junho de 2007, teve variação negativa de 44,15%.