Brasília – Após reunião que durou mais de duas horas, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu adiar para a próxima semana o anúncio do reajuste do salário mínimo, atualmente em R$ 240, e que dificilmente passará dos R$ 260, conforme noticiado durante toda a semana. No encontro, Lula frustrou as reivindicações das centrais sindicais, que pediam que um mínimo entre R$ 270 a R$ 300, e mediou mais uma queda-de-braço entre os integrantes da área econômica e da ala do governo que defende um aumento salarial consistente. Lula chegou a cogitar uma “proposta salomônica”, em que o mínimo ficaria em R$ 265 – um meio termo entre as duas partes -, no entanto, foi mais uma vez advertido sobre o impacto nas contas da Previdência pelo ministro Guido Mantega (Planejamento) e pelo secretário da Fazenda Bernard Appy, representante do ministro Antônio Palocci no encontro. Cada R$ 1 de aumento do mínimo acima de R$ 256 têm um custo de R$ 143 milhões para a Previdência. O mais provável é que o mínimo não passe mesmo dos R$ 260. A compensação viria pelo aumento no salário-família, que tem impacto fiscal menor. Hoje o benefício é de R$ 13,48 por criança de até 14 anos, mas pode chegar a até R$ 25.