Em sua primeira viagem a trabalho após sua crise de hipertensão na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje um discurso bem humorado, em que brincou com o próprio mal-estar, com seu time e com os outros participantes do evento, como a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Sem fazer ataques diretos aos governantes passados ou a adversários políticos, o presidente destacou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 será lançado para promover uma “grande reforma nos grandes centros urbanos, como o Rio de Janeiro e São Paulo”.

“Precisamos dar um jeito nas favelas e nas enchentes”, disse Lula, frisando várias vezes que o primeiro PAC foi apenas de “reparação”. “É a reparação da irresponsabilidade daqueles que governaram 20 ou 30 anos atrás e não estamos apenas falando de governos de direita, mas os de centro, e de esquerda também, governos irresponsáveis, que permitiram a ocupação de áreas em beira de morro, de encosta, perto de esgoto e coisa e tal. O prefeito tem que ter a responsabilidade de ir lá e impedir a ocupação de uma área. Vimos o que está acontecendo em decorrência disso. Estamos reparando o acúmulo de desmandos dos últimos anos”, disse Lula.

Especificamente sobre a obra que inaugurou hoje, o gasoduto Cabiúnas-Reduc III (Gasduc III), em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o presidente destacou que o País tem a intenção de ser autossuficiente em gás natural, principalmente por conta da segurança da geração de energia elétrica. “A prioridade número um da geração e do transporte de gás no Brasil é a energia elétrica do gás. É importante todo mundo saber disso: quem tiver indústria, carro ou piscina movida a gás, é bom saber que na primeira crise energética será cortado o gás para gerar energia”, disse o presidente.

Ele também afirmou que, mesmo quando o Brasil conquistar a autossuficiência, não deverá deixar de importar o gás boliviano. “O papel de uma nação do tamanho enorme como é o Brasil é o de ajudar países menores”, disse.

Ao fazer uma breve menção ao mal-estar que exigiu cuidados médicos na semana passada, Lula disse que se “orgulha de sua pressão”. “Foi um problema que aconteceu, mas aqueles que imaginavam que eu ia parar de viajar, podem tirar seu cavalinho da chuva. Nós vamos inaugurar muita obra este ano. Pena que a Dilma não vai poder ir junto. Mas eu e você Gabrielli, só este mês já temos três obras para inaugurar. Eles (adversários) vão ficar loucos”, brincou.

Dirigindo-se a José Sérgio Gabrielli, Lula disse: “A Petrobras está tão mão-de-vaca que eu vou denunciar você, Gabrielli, para o Tribunal de Contas da União”, disse arrancando gargalhadas dos presentes, ao reclamar da falta de ventiladores e de água no evento, aludindo também às constantes investigações do TCU sobre as contas da estatal. Bastante suado, o presidente também brincou com a própria condição: “Eu deveria estar aqui parecendo um presidente e estou mais parecido com um pintinho que caiu dentro de uma caixa d’água”, disse durante a cerimônia de inauguração do gasoduto da Petrobras na Baixada Fluminense.

Sobre a ministra Dilma, Lula relembrou os tempos em que ela ainda detinha a pasta de Minas e Energia, e sua dedicação para reformular o setor de energia. “Parecia que ela e a Graça (diretora de Gás e Energia da Petrobras) tinham brigado com seus maridos e namorados, porque varavam noites discutindo a reformulação do setor de energia no ministério”, disse o presidente também levando o público a dar risadas.