Em discurso proferido na Cooperativa de Cafeicultores de Maringá (Cocamar), o presidente Luís Inácio Lula da Silva prometeu aumentar o superávit da balança comercial em 12%. Segundo ele, a agricultura tem um papel fundamental nas exportações brasileiras. Lula criticou as barreiras alfandegárias, principalmente as medidas de proteção aos produtos agrícolas brasileiros, impostas pelos EUA e por alguns países europeus. “Se o comércio é livre, deve ser livre para todos”, disse o presidente.

Ele também destacou a importância das cooperativas. Lula disse que pretende fazer com que o Brasil seja destaque mundial em cooperativismo. O presidente disse acreditar que “os assentamentos dos trabalhadores rurais vão dar muito mais certo no dia em que conseguirmos organiza-los em cooperativas”. E aproveitou para rebater as críticas sobre a demora nas mudanças prometidas em campanha. Ele disse que é impossível mudar 20 anos em três meses, mas está tranqüilo, pois acredita em seu projeto de governo. O presidente esteve ontem em Maringá para a inauguração de três novas indústrias da Cooperativa dos Cafeicultores de Maringá (Cocamar). Lula estava acompanhado da mulher, Marisa Letícia, e dos ministros Roberto Rodrigues, da Agricultura; Luiz Fernando Furlan, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento; Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário; e do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB).

Último a discursar no pátio da empresa, Lula falou sobre a importância das cooperativas na união dos trabalhadores e lembrou seus tempos de sindicalista. “Eu tenho algumas obsessões em minha vida, e a cooperativa é uma delas. Em 1975, no ABC, os trabalhadores eram muitos desunidos, não davam importância para nós do sindicato”, rememorou.

Participação inusitada

O discurso do ministro do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, foi interrompido a gritos por uma bordadeira. Diante do impasse, a solenidade foi interrompida para que a mulher fosse ouvida. Ela queria entregar uma carta ao presidente Lula. Mãe de cinco filhos, ela disse que perdeu a casa por causa de um golpe no qual teriam falsificado sua assinatura, e pediu providências ao presidente.

O governador Roberto Requião, o seguinte a discursar, se aproveitou da inusitada situação. Ele disse que a bordadeira seria a primeira da fila no novo programa de habitação do governo em Maringá, que vai garantir lotes a 400 famílias na região.

Ao receber o microfone do ministro Furlan, Requião também elogiou a presença do prefeito José Cláudio (PT), que ainda se recupera de problemas de saúde. “O José Cláudio fez aqui pedidos ao governo do Estado. Mas ele sabe que eu já determinei aos secretários de Estado: atendam o Zé Cláudio sempre em dobro, porque um homem com a garra e a resistência dele pela vida e com seus ideais precisa de apoio”, declarou o governador.

SUS

Durante seu discurso na solenidade, o prefeito José Cláudio Pereira Neto (PT) quebrou o protocolo e pediu em público para presidente e governador, na frente de ambos, que ajudassem a situação da saúde do município. “Nós pedimos que o teto do SUS de Maringá seja aumentado. É inadmissível que uma cidade como a nossa esteja a tanto tempo à revelia dos palácios do Planalto e Iguaçu”, apelou o prefeito.

Após plantar uma muda de Ipê Roxo em um canteiro da Cocamar, Lula seguiu para Londrina sem falar com a imprensa.

Requião desafia a Ocepar contra venda da Chapecó

O governador Roberto Requião lançou um desafio ontem em Maringá, quando acompanhava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e os empresários paranaenses formulem rapidamente uma proposta para evitar que a empresa Chapecó seja comprada por um grupo empresarial francês e que o setor de frango brasileiro seja internacionalizado.

Segundo Requião, mais uma vez a Chapecó – que mantém unidades no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – está em dificuldades financeiras e até agora o único grupo que mostrou interesse em compra-la é francês. Para isso, alertou o governador, o grupo receberia recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDS).

“Se a Chapecó for vendida, desaparece das mãos brasileiras um setor estratégico da produção nacional e a indústria de frangos será internacionalizada”, advertiu. O grupo interessado é o Drevi, o maior do Mercado Comum Europeu. “Os estrangeiros são bem-vindos, mas sabemos da importância de valorizar o setor cooperativo brasileiro.

O governador lembrou ainda que hoje o País é um dos maiores exportadores de frango do mundo e o Paraná um dos maiores produtores. “Mas se a empresa for internacionalizada, a França dominará o mercado mundial”.

Discurso

As declarações foram feitas por Requião durante discurso na inauguração de três fábricas de sucos naturais e condimentos para lanchonete da Cocamar, em Maringá. Requião estava acompanhado da primeira-dama do Estado, Maristela Requião. Esta foi a terceira visita de Lula a Cocamar desde o ano passado e a segunda como presidente ao Paraná. A primeira foi para a posse de Jorge Samek na diretoria-geral da Itaipu Binacional, em Curitiba.

Financiamentos maiores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou ontem, em Londrina, aumento do financiamento agrícola do Bando do Brasil para a próxima safra. Em um primeiro momento, será de 15%, elevando-se para 20% posteriormente. Em valores, salta de R$ 15 bilhões para R$ 18 bilhões. O anúncio foi feito durante sua visita à 43.ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, onde o presidente chegou com uma hora de atraso, após almoçar com lideranças locais e estaduais e descansar em um hotel da cidade. Lula também elogiou o grau de desenvolvimento do cooperativismo no Paraná e, ao visitar a Via Rural, que tem 29 unidades de demonstração sobre pequenas criações, agricultura familiar e tecnologia de produção, se mostrou surpreso com a elevada técnica aplicada nas pequenas propriedades rurais paranaenses.

O avião presidencial aterrissou no aeroporto de Londrina no horário marcado por sua assessoria, às 13h30, vindo de Maringá, onde Lula inaugurou um complexo agroindustrial da Cocamar. (Sérgio Marqueze)