O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje uma aliança com a União Europeia para combater a pobreza na América Latina e na África. “Estou convencido de que, por meio de projetos de cooperação triangular, podemos multiplicar iniciativas bem-sucedidas”, disse Lula, em discurso durante a IV Reunião de Cúpula da Parceria Estratégica entre Brasil e União Europeia, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Segundo ele, a iniciativa de cooperação triangular (Brasil, União Europeia e África) sobre biocombustíveis e bioeletricidade vai possibilitar que o Brasil utilize a sua experiência na produção de biocombustíveis, “segundo padrões rigorosos de sustentabilidade ambiental e social”.

“Acabo de retornar de minha oitava visita à África e pude comprovar o potencial extraordinário daquele continente para a produção de biocombustíveis, com geração de emprego e renda e menor dependência de fontes fósseis. Com eles, vamos reduzir a emissão de gases de efeito estufa, ajudar o crescimento no mundo em desenvolvimento mediante apoio financeiro para projetos e transferência de tecnologia limpa. Tudo isso sem comprometer a produção de alimentos”, afirmou Lula.

Sarkozy

O presidente da França, Nicholas Sarkozy, é o presidente que mais dá trabalho para o avanço das negociações entre o Mercosul e a UE, na avaliação de Lula. “É preciso flexibilizar o coração dos franceses”, brincou durante cerimônia de assinatura de acordos bilaterais, no Itamaraty.

Lula ressaltou que há mais afinidades do que divergências entre os brasileiros e o bloco europeu. Ele citou como exemplo as posições consensuais durante a Rodada Doha e também em relação ao acordo sobre clima tratado em Copenhague. Lula disse que aproveitará o período em que será presidente do Mercosul para tentar convencer a União Europeia a fazer acordos com os sul-americanos.

Ele destacou que Brasil e UE já colhem resultados de acordos fechados no passado, quando a União Europeia ainda estava num estágio embrionário e era chamada apenas de Comunidade Econômica Europeia. Ele citou três itens: fusão nuclear para pesquisa em área energética; segurança no setor de aviação, com a abertura do mercado brasileiro para companhias europeias; e alianças para combater a fome na América Latina e na África.