Em uma reunião convocada para discutir o Plano Nacional da Banda Larga, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria confirmado a intenção do governo de reativar a Telebrás, para que a empresa funcione como a operadora dos serviços de internet rápida no Brasil.

“Queremos fazer a Telebrás voltar a funcionar”, disse o presidente, segundo relato do coordenador do programa Software Livre Brasil, Marcelo Branco, que participou da reunião, encerrada pouco depois das 22 horas de ontem.

O objetivo do governo com a criação da estatal da banda larga é criar um instrumento público para estimular a competição e garantir que os serviços cheguem onde as empresas privadas não atuam, a preços mais baixos. Ao mesmo tempo, o governo quer recuperar a sua capacidade de “gerir” o setor de telecomunicações.

“Não queremos criar uma empresa estatal por criar, queremos uma empresa que ajude os brasileiros a ter banda larga mais barata”, disse o presidente, ainda de acordo com o relato do coordenador do programa Software Livre Brasil. Marcelo Branco acrescentou que será dada uma “nova missão” para a Telebrás. “Não é a velha Telebrás, com as mesmas funções, a mesma herança”, ressaltou Branco.

O presidente Lula também comparou a banda larga aos programas Bolsa-Família e Luz para Todos, este último criado para universalizar os serviços de energia elétrica.

“Este País vai ter banda larga onde for necessário”, disse o presidente, segundo Marcelo Branco. O presidente teria mostrado disposição de fazer parceria para massificar a banda larga. Na próxima quarta-feira haverá uma reunião do presidente com ministros para discutir o assunto.

Operadoras privadas

Na reunião de ontem a noite, foi colocada a possibilidade de o governo chamar as operadoras privadas para participar do plano. Segundo o coordenador, as empresas não estão sendo tratadas como inimigas. “As grandes operadoras também estão no plano, é um complemento. Não é a estrutura pública contra a estrutura privada”, afirmou Marcelo Branco.

Também foram apresentados vários cenários de investimentos, que poderiam chegar a R$ 15 bilhões, dependendo das parcerias que serão firmadas. Nas negociações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vem sendo considerado um financiamento de até R$ 20 bilhões.

O coordenador do programa Software Livre Brasil relatou ainda que a meta do governo é criar, até 2014, mais 20 milhões de acessos à banda larga, em 4.238 municípios.

Para isso, a intenção é baratear o preço em 70%, atendendo principalmente às classes C, D e E. A nova estrutura estatal de banda larga ficaria subordinada à Presidência da República.