Os corós rizófagos, larvas de besouros pertencentes à família Melolonthidae e que se alimentam de raízes de plantas, estão entre as pragas de solo que mais afetam a produção agrícola brasileira.

No Paraná, assim como no Rio Grande do Sul, são percebidos em plantações de soja, trigo e milho, podendo gerar perdas de até 100% nas lavouras. “Quando as larvas de corós são detectadas, já não há muito o que fazer. Depois que o problema ocorre, a aplicação de inseticidas não é efetiva.

No Paraná, a praga é identificada em propriedades localizadas, sendo que se a infestação for grande as perdas também podem ser gigantes”, comenta o pesquisador da unidade soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja), de Londrina, Adeney de Freitas Bueno.

No Sudeste do país, os corós rizófagos afetam a soja. Na região Centro-Oeste, é identificado o coró da soja, que atinge também a mandioca, e o coró das hortaliças, que também ataca o milho, o feijão e o morango.

Na região Nordeste, existem alguns relatos que apontam a presença de corós no estado do Rio Grande do Norte, em plantações de mandioca. Já no Norte, não existem relatos da ação da praga, mas isso não quer dizer que ela também não possa se fazer presente.

Como as medidas para se combater o coró são apenas paliativas depois que ele já atacou uma determinada lavoura, os produtores devem realizar um trabalho preventivo.

Antes de plantar, é importante fazer buracos no solo para verificar se a praga está presente e investigar o histórico da região, embora o fato de a praga ter se manifestado em uma determinada área no ano anterior não seja garantia de que ela vá aparecer novamente no mesmo lugar.

Outras medidas indicadas são fazer tratamento de sementes e bom uso da adubação. O coró rizófago adulto aparece nos meses de setembro e outubro de cada ano, saindo do solo à noite para se acasalar.

Posteriormente, as fêmeas colocam ovos no solo que, de quinze a vinte dias depois, dão origem às larvas. Estas passam por três fases de desenvolvimento, sendo que a terceira e última, que ocorre entre os meses de dezembro e março, é considerada a mais crítica para as lavouras. É nesse período que as larvas consomem mais raízes, fazendo com que as plantas se tornem amareladas, murchem e morram.

Pesquisa

Uma esperança para os produtores que sofrem em função dos corós rizófagos está em uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pela Embrapa Cerrados, localizada em Planaltina (DF).

A mesma prevê o combate à praga através da utilização de algumas espécies de adubo verde, como por exemplo a mucuna preta, o feijão guandu, o labi-labi e diversas espécies de crotalárias.

Embora a pesquisa esteja sendo realizada na região Centro-Oeste, os resultados obtidos também podem vir a ser aplicados no Paraná e em outros estados brasileiros.

“Em laboratório, plantamos adubos verdes em bandejas e colocamos corós para comer suas raízes. As plantas que deram maiores resultados foram as crotalárias, sendo que as larvas que ingeriram suas raízes morreram”, conta o pesquisador da Embrapa Cerrados, Charles Martins de Oliveira, principal responsável pelo estudo.

Comprovado o efeito negativo da adubação verde sobre as larvas, a ideia é de que as crotalárias sejam plantadas antes da soja, do milho e de outras culturas. Assim, a praga seria morta antes do período de safra. “Por enquanto, só realizamos testes em laboratório.

Porém, pretendemos promover testes de campo ainda este ano, o que deve trazer novas perspectivas aos produtores”, afirma Charles. “Atualmente, existem poucos pesquisadores trabalhando com corós, ,o que faz com que os produtores acabem ficando desamparados”.

O integrante da Embrapa Cerrados diz que o uso da adubação verde deve elevar um pouco os custos de produção. Mesmo assim, o recurso seria vantajoso aos produtores, sendo que posteriormente as perdas na lavoura seriam bem menores. “As vantagens viriam depois, com a redução dos prejuízos provocados pelas perdas”, explica.