A maioria dos trabalhadores brasileiros com carteira assinada tem baixa escolaridade, ganha entre um e três salários mínimos e se situa na faixa etária entre 30 e 49 anos. As informações são da pesquisa Perfil do Trabalhador Formal Brasileiro, elaborada pelo Seviço Social da Indústria (Sesi), divulgada ontem.

Brasília (ABr) – De acordo com o diretor da Confederação Nacional de Indústria, Alexandre Furlan, a pesquisa vai permitir que empresários usem os dados para planejar programas sociais e dar maior qualidade de vida ao trabalhador. A fonte da pesquisa é o cadastro da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2003, do Ministério do Trabalho e Emprego. Quando comparados à análise anterior, de 2001, os dados mostram que a escolaridade do trabalhador e o número de empregos aumentaram.

Segundo a pesquisa, o número de trabalhadores com carteira assinada no ano de 2003 aumentou 9% em relação a 2001. Na indústria, esse aumento foi de 5%. Além disso, o número de trabalhadores analfabetos no setor caiu em 30%. Já a renda média não subiu e apresentou queda.

?Você tem uma evolução do nível de emprego e queda da renda média, mas acho que esses fatores não são extremamente relevantes do ponto de vista do objetivo do trabalho que é propiciar à comunidade empresarial um cruzamento de dados para estabelecer critérios e trabalhos a serem realizados?, avaliou Furlan.

Para Mariana Raposo, diretora de operações do Sesi Nacional, a queda da renda média reflete a distribuição de renda. ?No tocante à renda, tivemos diminuição do número de trabalhadores na faixa mais alta. Em compensação, na faixa de um a três salários mínimos, tivemos um acréscimo de trabalhadores. Se pensarmos na questão da distribuição da renda, vamos ver que ela tem uma pequena melhora?, argumentou ela.

A pesquisa aponta que a quantidade de pessoas que recebiam até três salários mínimos aumentou de 58,1% em 2001 para 64,2% em 2003. Na faixa acima de três salários mínimos, o número diminuiu de 41,7% para 35,5%. A região Sudeste apresenta a maior média geral de salários (49%), quando a faixa de renda é de um a três salários mínimos. Na Nordeste, 19,1% dos trabalhadores ganham esse rendimento e, na Sul, 19%.

Analfabetismo

A taxa de analfabetismo caiu de 1,7% em 2001 para 1% em 2003. Além disso, a proporção de empregados com ensino fundamental incompleto recuou de 29,7% para 26%. Segundo Furlan, entre os países do Mercosul, o Brasil é o que apresenta o menor nível de escolaridade. ?O trabalhador brasileiro tem notadamente o nível de escolaridade pior. Nos últimos anos, houve um ingresso mais substancial de crianças na escola, mas não se consegue fazer com que ela permaneça e atinja o nível de escolaridade médio dos demais países do Mercosul, que é de 9 anos?, afirmou.

Mariana Raposo acrescentou que a escolaridade média da população com mais de 15 anos. não chega a seis anos. ?Na América Latina vamos ter países com 12 anos e a média vai estar entre 10 e 12 anos. O Brasil é a mais baixa escolaridade da América Latina?, afirmou.

No Brasil, os dados da pesquisa apontam que 42,4% dos trabalhadores estão no ensino fundamental, 38,1% no ensino médio e 18,5% no ensino superior.

Entre os setores pesquisados estão: o extrativo mineral, a indústria de transformação, os serviços industriais de utilidade pública, a construção civil, o comércio, serviços, administração pública, agropecuária, extrativa vegetal, caça e pesca.

Salário aumenta 4,7% no Paraná

De janeiro a agosto de 2005 o salário médio dos que ingressaram no mercado formal do Paraná aumentou 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de R$ 474,85 para R$ 496,94. Os dados são de uma pesquisa da Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.

As atividades que apresentaram maior aumento no poder aquisitivo dos assalariados foram o setor de serviços (6,8%) e a indústria de transformação (4,9%). O maior achatamento foi registrado pelos trabalhadores admitidos em serviços industriais de utilidade pública com 19,4% de decréscimo.

O salário médio no mercado formal de trabalho da Região Metropolitana de Curitiba também apresentou crescimento. Os contratados nos oito primeiros meses do ano passado receberam salário médio de R$ 562,24. Já os admitidos em 2005 tiveram rendimento médio de R$ 590,55, apontando expansão de 5% na renda média.