A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o mais importante retrato socioeconômico da realidade brasileira, entrou numa fase de profundas mudanças. Em 2011 e 2012, a pesquisa atual vai conviver com outra, trimestral, a “Pnad contínua”. Essa nova versão assumirá, a partir de 2013, os papéis simultâneos da atual Pnad e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). A PME atual, como a Pnad, conviverá com a “nova Pnad” em 2011 e 2012. A partir de 2013, a Pnad, na sua versão de hoje, e a PME deixam de existir, com a Pnad contínua tomando os seus lugares.

A Pnad existe desde 1967, mas foi a partir da década de 90, após uma série de ampliações geográficas e de conteúdo, que ela se tornou a principal referência em termos de medir o progresso socioeconômico brasileiro. A pesquisa, no seu formato atual, é conduzida por meio de entrevistas realizadas todo ano, em setembro, junto a uma amostra de cerca de 150 mil domicílios em todas as unidades da Federação, nas áreas urbana e rural.

A Pnad, que tem suplementos especiais temáticos todos os anos, traça um panorama detalhado da sociedade brasileira, em áreas como demografia, migração, educação, mercado de trabalho, trabalho infantil, renda, acesso à eletricidade, água esgoto e consumo de bens como carros, televisões, geladeiras, telefones, computadores, etc. A pesquisa de 2009 foi divulgada na semana passada, revelando avanços no consumo e estagnação em setores como saneamento básico.

Ao longo dos últimos anos, foi graças à Pnad que se pôde acompanhar em detalhes o processo de redução da desigualdade e da pobreza. Iniciada no Plano Real, a melhora estagnou-se na maior parte da década de 90, mas foi retomada a partir de 2001, na distribuição de renda, e de 2004, na pobreza.