68,3% não tinham empregados registrados.

Rio – Abrir a própria empresa tornou-se uma alternativa ao desemprego no Brasil. Em 2002, das 720 mil empresas criadas no País, 85% não tinham empregados com vínculo de trabalho formal, de acordo com o Cadastro Central de Empresas (Cempre), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, a abertura de empresas garante apenas a ocupação de seus sócios e não significa mais a criação de vagas assalariadas.

“Esse fenômeno das pessoas de tornarem pessoa jurídica foi uma saída para as pessoas voltarem a trabalhar. Este resultado reflete a precarização do mercado de trabalho”, disse a economista do IBGE Denise Guichard Freire.

Segundo ela, as pesquisas do IBGE dos últimos anos, como a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e a PME (Pesquisa Mensal de Emprego) já revelam uma tendência de queda na proporção de assalariados. Ela diz ainda ser comum a abertura de pequenos negócios por parte das pessoas que não encontraram emprego, principalmente nas atividades que exigem menor grau de especialização.

Das 4,5 milhões de empresas privadas ativas em 2002, 68,3% funcionaram sem funcionários registrados. Esse contingente dos “patrões de si mesmo” ou de empregadores informais somou 4,3 milhões, o correspondente a 17,1% do pessoal ocupado nas empresas. De 2001 para 2002, o número de proprietários de empresas aumentou 12,3%, enquanto o de assalariados, apenas 5,7%.

O comércio foi o setor da economia que mais concentrou empresas que não tinham empregados registrados. Do total das 3,1 milhões de empresas sem empregados formais em 2002, 55,8% eram ligadas ao setor.

Mortalidade

Em cada dez empresas abertas em 2002, seis fecharam, segundo o Cadastro Central de Empresas (Cempre), divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE. No período, 720 mil novas empresas surgiram e 461 mil foram extintas.

Segundo o IBGE, o elevado índice de mortalidade de empresas está relacionado à situação desfavorável do mercado de trabalho. Em 2002, as taxas de desemprego bateram sucessivos recordes e nenhuma vaga assalariada formal foi criada, segundo os dados da PME (Pesquisa Mensal de Emprego). Com isso, aumentou o número de novas empresas com poucas pessoas trabalhando ou até sem nenhum empregado formal.

Prova disso é a participação majoritária das empresas com até quatro pessoas ocupadas (seja sócio ou empregado) nas empresas que nasceram ou fecharam em 2002. Do total de empresas criadas naquele ano, 93,8% tinham até quatro pessoas ocupadas. No grupo das empresas extintas, o percentual chegou a 95,9%.

Oportunidades estão no interior

O emprego formal caminha rumo ao interior do Brasil, com o crescimento do número de empresas fora das capitais, de acordo com dados do Cadastro Central de Empresa (Cempre) de 2002, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o instituto, os incentivos fiscais oferecidos pelos municípios, assim como uma infra-estrutura básica adequada, foram os principais fatores para tal mudança na distribuição das empresas. As capitais têm perdido participação para os demais municípios não somente em relação às empresas, como também em relação aos empregos. De 1997 para 2002, a participação do total de empresas nas capitais brasileiras caiu de 32,4% para 30,6%. Em relação ao total de pessoas ocupadas, a participação das capitais passou de 41% em 1997 para 37% em 2002.

Em termos regionais, o Sudeste registrou perda de participação no total das empresas brasileiras, passando de 52,8% para 51,4% entre 1997 e 2002. Já as regiões Norte e Nordeste ganharam participação no período e registraram as maiores taxas de crescimento, de 56,2% e 50,3%, respectivamente. A região Sul registrou aumento de 42,2%.