O ministro da Fazenda, Pedro Malan, homenageado ontem pela Associação Comercial do Rio de Janeiro, abriu seu discurso para cerca de 200 empresários dizendo que num momento de turbulência, como o que o mercado financeiro vive atualmente, é necessário que haja serenidade e firmeza do governo.

Rio

(AE) – “Não precisamos de nenhum recado de quem quer que seja sobre nossas responsabilidades a esse respeito. Este governo não fugirá, como nunca fugiu, de sua responsabilidade de exercer até o final o mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso”, afirmou.

Malan, porém, reservou apenas menos de cinco minutos ao assunto e avisou que não entraria em detalhes sobre o que está ocorrendo no mercado. Não quis dar entrevistas nem comentou as elevações da taxa de câmbio e do risco Brasil registradas ontem. Em vez disso, optou um discurso político centrado no que classificou de “um olhar no futuro”.

Cobrança

Malan fez, mais uma vez, uma palestra com um tom de cobrança para que os candidatos à Presidência apresentem, de forma mais objetiva, seus projetos econômicos.

“Aqueles que desejam não continuar (com o regime de metas de inflação), que venham de público dizer qual regime pretendem adotar”, afirmou o ministro, reiterando a importância da preservação da estabilidade, por meio do controle inflacionário. E citou outras quatro alternativas de modelos econômicos, todas, segundo ele, desaconselháveis para o Brasil.

A única a merecer dele elogios foi a utilizada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que não adota uma meta de inflação explícita, “mas trabalha com uma credibilidade de décadas e isso, infelizmente, não se estabelece por decreto”.

Os outros regimes citados pelo ministro foram o não-monetarista, o que permite a oscilação inflacionária (“já vimos este filme de deixar a inflação ser o que tiver de ser, com indexação formal e informal, que só leva à hiperinflação”) e o que pretende manter a inflação no nível mais baixo possível.

“A melhor alternativa é a preservação do regime de metas, mas tem de haver uma distinção entre o conceito e a meta operacional”, avaliou. Malan salientou, ainda, que é necessário acompanhar o comportamento do câmbio em situações especiais.

“Quando há um comportamento de rebanho e de manada, com flagrantes exageros não justificados, é óbvio que deve haver alguma atuação do Banco Central”, comentou, numa clara referência ao momento atual.

Malan voltou a criticar propostas “messiânicas e salvacionistas” e defendeu um grau de comprometimento dos candidatos a um futuro governo, dizendo que não há incompatibilidade entre estabilidade macroeconômica e crescimento sustentado da economia.

“Acredito na capacidade de mudança de pessoas, de partidos e de países. O que precisamos é observar o grau de credibilidade dessas mudanças, o comprometimento crível”, declarou Malan, tendo o cuidado de não citar especificamente nenhum candidato ou partido.