O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que o governo não voltará atrás na proposta de criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS). Em entrevista no início desta tarde, na portaria do Ministério da Fazenda, Mantega fez questão de falar sobre a criação da EBS, que enfrenta forte resistência das entidades representativas das empresas de seguro e resseguro. Essas entidades estão se mobilizando contra a tentativa do governo de criar a seguradora estatal.

Mantega informou que a Medida Provisória que cria a EBS será enviada em breve ao Congresso Nacional. O ministro defendeu a criação da empresa e disse que ela é importante para dar apoio aos projetos de infraestrutura que necessitam de seguro. Segundo ele, o setor não tem como dar conta de toda a necessidade de seguro para a viabilização dos projetos de infraestrutura. Ele rechaçou, no entanto, que a criação da EBS representa um novo monopólio para o setor. Ele disse que o monopólio do IRB (antigo Instituto de Resseguros do Brasil) foi quebrado e acrescentou: “nós estamos privatizando o IRB, negociando com o Bradesco, Banco do Brasil e Itaú, que já são sócios do IRB”, afirmou. “Não tem nada de estatização, isso é uma bobagem”, acrescentou.

Mantega insistiu na avaliação de que a criação da EBS supre uma deficiência que existe hoje no Brasil na área de seguros. Segundo ele, a criação do Eximbank para apoiar o comércio exterior brasileiro não seria viável sem a EBS, garantindo o seguro à exportação. Mantega enfatizou que o governo já disse para empresas seguradoras que vai trabalhar em conjunto com elas, formando consórcios. Para o ministro é preciso identificar quem realmente do setor é contra a proposta. “Não são as grandes seguradoras”, disse. Ele informou que vai se reunir na próxima semana com as empresas do setor para discutir a criação da EBS. “Não vamos voltar atrás, porque ela é uma necessidade para o País”. O ministro se disse aberto para aperfeiçoar o texto de criação da MP. Segundo ele entre o espaço de discussão e votação do projeto e a criação da empresa a proposta poderá ser aperfeiçoada.