Foto: José Cruz/Agência Brasil

Mantega: ?É uma queda ocasional, uma oscilação normal?.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, minimizou ontem o resultado da pesquisa da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), que apontou queda de 17% no fluxo de investimentos estrangeiros diretos para o Brasil em 2005, na comparação com 2004. ?É uma queda ocasional, uma oscilação normal?, comentou. Para o ministro, o fluxo de investimentos segue a estratégia das empresas, que varia de um ano para o outro. ?Não acredito que os investimentos estrangeiros estejam abandonando o Brasil?.

Pelas estimativas do governo, o fluxo de investimentos estrangeiros deve crescer 7% em 2006, na comparação com o ano passado. Mantega aproveitou para criticar o governo anterior. ?É desejável que venha o investimento estrangeiro direto, mas não precisamos deles para fechar nossas contas. No passado, era imprescindível que eles viessem fechar as contas?.

Ele queixou-se, ainda, de uma ?comparação injusta? que é feita, quando se lembra que em 1998 o Brasil recebeu US$ 33 bilhões em investimentos estrangeiros diretos. ?Claro, estavam comprando a Telefônica, uma série de empresas estrangeiras (sic). Daí, acabaram as privatizações e o fluxo caiu?.

Para o ministro, mais relevantes do que os investimentos estrangeiros diretos, são os dados indicando o aumento da atividade econômica interna, como o crescimento de 2,32% no comércio em agosto. Além disso, a poupança interna aumentou de 16% do Produto Interno Bruto (PIB) para 22% do PIB. ?É melhor um crescimento baseado na poupança interna do que na externa?, disse. Ele lembrou, ainda, que está aumentando o número de empresas brasileiras que investem lá fora, um fenômeno necessário para garantir a competição no mercado globalizado.

O ministro avaliou que os investimentos estrangeiros crescerão em 2007, impulsionados pelos juros mais baixos e pela economia em forte crescimento. Ele citou alguns novos projetos de investimento externo que estariam a caminho. O pólo siderúrgico do Rio de Janeiro, um projeto conjunto da Vale do Rio Doce com a alemã Thyssenkrupp, envolverá o aporte de US$ 2,5 bilhões. Também já foi aprovada a implantação de uma siderúrgica no Ceará, uma parceria da Vale com a italiana Danielli e a coreana Dongkuk, no valor de US$ 750 milhões.

Outro exemplo é o investimento de US$ 2,5 bilhões que a americana International Paper fará em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, envolvendo US$ 1,7 bilhão. ?Ouço muitos investidores estrangeiros dizendo que querem vir para o Brasil?, disse Mantega. Ele comentou que ficou surpreso com o número de empresários estrangeiros com quem se encontrou em Cingapura, em setembro passado, interessados em investir na construção civil e no etanol.

O ministro afirmou não saber por que houve a queda no fluxo de investimentos diretos em 2005, mas afastou a hipótese de o ambiente político tenso devido ao processo eleitoral ter postergado as decisões. ?Este ano, que é um ano eleitoral, os investimentos estão crescendo em relação a 2005?.