O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que a economia brasileira crescerá em 2010 em um intervalo entre 6,5% e 7%. Até então, os documentos da equipe econômica contavam com previsões de 6,5%. O ministro evitou, no entanto, dizer qual é o novo porcentual exato esperado pelo governo. “Não me lembro”, desconversou, ao sair da cerimônia de assinatura de acordos bilaterais entre Brasil e União Europeia, no Itamaraty. Mantega disse que não se preocupa com o conteúdo do relatório mais recente do Banco Central que destacava o forte aquecimento da atividade doméstica. “Isso não preocupa porque estava prevista uma desaceleração”, argumentou.

Na avaliação de Mantega, o primeiro trimestre registrou números robustos de crescimento porque era uma reação ao trimestre do ano anterior e também porque houve antecipação do faturamento e das vendas do segundo trimestre. De acordo com ele, se somar os números do primeiro e segundo trimestre e dividir pela metade dará um número compatível com o potencial de crescimento do País, que deve girar entre 5,5% e 6%. Este é inclusive o intervalo esperado pelo ministro para a expansão da economia no terceiro trimestre.

Para ele, é natural haver uma acomodação dos números no segundo trimestre porque foi nesse período que o governo retirou os estímulos da economia que estavam em vigor até março. Ele enfatizou que 2010 será um ano atípico por conta da base de comparação em 2009 que ainda sofria os impactos da crise financeira internacional. “Não há superaquecimento da economia”, afirmou, acrescentando que a inflação deste ano ficará dentro das bandas de acomodação da meta inflacionária, de 4,5%, com dois pontos para cima ou para baixo.

O ministro disse ainda que a inflação é uma preocupação permanente do governo, mas destacou o resultado da inflação de junho. “O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) foi zero, deu uma caída, o que eu também disse que ia acontecer”, afirmou salientando que o movimento era esperado por causa da oscilação dos preços dos alimentos. “Isso significa que o crescimento é sustentável”, disse.