O novo ministro do Planejamento, Guido Mantega, que tomou posse ontem, disse que o governo vai lutar para reduzir o risco-Brasil. – Não descansaremos enquanto esse risco-país não baixar para 300 ou 400 pontos, que é a média dos países emergentes, com exceção da Argentina. Em seu discurso, Mantega disse que a recente valorização do real está baixando a dívida e reduzindo a pressão inflacionária “rumo a um cenário mais favorável que ainda precisa se consolidar”.

Mantega citou que o risco-país – calculado pelo banco JP Morgan – já caiu abaixo de 1.300 pontos, mas ainda é um “exagero” para as condições da economia brasileira, “embora mais razoável que os 2.400 de meses atrás”.

Segundo o ministro, a redução do risco-Brasil criará condições para que Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, que também tomou posse ontem, possa cumprir a promessa “de criar as condições de sustentabilidade para trazer os juros brasileiros para patamares civilizados”.

Guido Mantega disse que vai perseguir o crescimento da atividade econômica “de mais de 4,5% ao ano”. Ele destacou que o desenvolvimento sustentado pretendido “não é um processo espontâneo que trata das livres forças do mercado”. Segundo ele, o mercado é “importantíssimo para organizar a economia”, mas “é um sistema imperfeito, que aprofunda desigualdades sociais e regionais. Por isso precisa da ação do Estado, em especial nas questões de longo prazo, como infra-estrutura, e nas esferas social e regional”.

O ministro afirmou que, para promover o desenvolvimento, o governo vai precisar de um projeto estratégico “a ser formulado por meio de modernos métodos de planejamento”. Mantega reiterou que o governo não pode ser refém de projetos de curto prazo, “somente apagando incêndios”.

– Temos de pensar no longo prazo, projetar o futuro e isso implica uma obra de arquitetura econômica. Implica planejamento estratégico – explicou.

Críticas

Num dos discursos mais críticos ao governo Fernando Henrique Cardoso entre os integrantes do novo ministério, Guido Mantega disse que a administração anterior abandonou as políticas de planejamento estratégico, ignorando que a globalização é assimétrica e castiga os países em desenvolvimento. Ele disse que pretende retomar a antiga política de planejamento utilizada pelos governos das décadas de 50 e 60, mas sem o intervencionismo estatal daquele período. O novo ministro elogiou os economistas Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares dizendo que pretende se inspirar neles em sua gestão à frente do ministério.