A volta da taxa básica de juros da economia (Selic) para a casa de dois dígitos não é um grande negócio para o Brasil, na opinião do ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio da Mauá Investimentos, Luiz Fernando Figueiredo. É possível, de acordo com ele, que os juros voltem para dois dígitos, mas é mais provável que parem em 9,75% este ano.

Para Figueiredo, o juro básico deve ser elevado em mais 0,50 ponto porcentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), com início previsto para a terça-feira, 8, e término na quarta-feira, 9. Atualmente, a Selic está em 9% ao ano.

Para a reunião de novembro, última do ano, Figueiredo avalia que o BC deva deixar em aberto qual será a sua decisão. “É bem possível que o BC deixe um pouco mais em aberto a próxima reunião para fazer 0,50 pp, 0,25 pp ou 0,0 pp, dependendo de como vierem os dados até lá”, disse. Figueiredo participou, nesta segunda-feira, 7, do 3º Congresso Internacional de Gestão de Riscos da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Segundo Figueiredo, se for necessário elevar mais os juros, retornando aos dois dígitos, o aumento terá de ser feito. “O que está nos parecendo, até pelo comportamento da atividade econômica que está muito fraca, é que não vai precisar (elevar os juros para 10%)”. “As condições financeiras, que são juros, câmbio, estão bem severas. Isso tem contribuído bastante para segurar a atividade. Se a Selic for um pouco maior, a inflação acomoda em um nível um pouco mais baixo”, concluiu.