O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ainda não decidiu se permanecerá no cargo até o fim do governo Lula ou se irá se desincompatibilizar da função a tempo de, eventualmente, concorrer a algum cargo eletivo. Meirelles comentou o assunto ao ser questionado por jornalistas ao término de uma palestra para banqueiros ocorrida na manhã deste domingo em Cancún, no México, às margens da reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O presidente do BC afirmou ainda ter tempo para se decidir. O prazo para desincompatibilização do cargo expira em 3 de abril.

“A decisão que irei tomar será, número um, se eu fico no Banco Central ou se eu saio do Banco Central. Se eu ficar, não poderei concorrer a nenhum cargo público e permanecerei no Banco Central até o fim do ano. Se eu decidir sair do Banco Central, então analisarei quais serão as opções disponíveis no momento”, declarou Meirelles.

O presidente do BC recusou-se a comentar rumores sobre a possibilidade de, no futuro próximo, ser chamado para vice em uma possível chapa da pré-candidata do PT à Presidência, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Na conversa com jornalistas, Meirelles não fez nenhuma menção à última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual a taxa Selic (juro básico da economia brasileira) foi mantida em 8,75% ao ano. A ata da reunião será divulgada pelo BC na próxima quinta-feira, dia 25. Segundo Meirelles, a data de divulgação do Relatório Trimestral de Inflação pelo BC ainda não tem data definida, mas deverá ficar para a última semana do mês.

BC independente

Questionado por um jornalista estrangeiro sobre projetos para que o Banco Central do Brasil torne-se uma instituição independente nos próximos anos, Meirelles disse: “Não faz parte das atribuições de um presidente do Banco Central mudar as leis do País. Isso cabe ao Congresso Nacional. O que podemos fazer é emitir opiniões. Particularmente, minha experiência como membro do comitê de governadores do BIS (Banco de Compensações Internacionais) e todos os estudos e sondagens lá feitos mostram que, no longo prazo, um banco central legalmente independente provou ser um caminho eficiente e exitoso a ser seguido. Mais uma vez, porém, afirmo que a forma como funciona no Brasil tem dado muito certo.”

Meirelles chegou a Cancún na noite de sexta-feira e participou de uma série de eventos patrocinados por instituições financeiras às margens da reunião do BID, quase todos eles fechados para a imprensa. O embarque de volta ao Brasil está previsto para o final deste domingo, segundo sua assessoria.