O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira (19), em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o Banco Central não opina sobre a taxa de câmbio. "Para o BC não há uma taxa de câmbio boa ou ruim", disse. De acordo com Meirelles, se o BC se posicionar sobre o câmbio, o regime cambial terá que voltar a ser fixo. "O Brasil não tem o câmbio fixo, nós temos o câmbio flutuante", afirmou.

No regime de câmbio flutuante, cabe ao BC, segundo Meirelles, editar ou estabelecer regras que garantam maior flexibilidade operacional aos mercados. Ele voltou a dizer, entretanto, que cabe ao BC atuar no mercado de câmbio, sempre que houver alguma distorção na formação de preços.

Meirelles destacou também o trabalho feito pelo BC nos últimos anos de elevar as reservas internacionais e, com isso, aumentar o grau de solidez da economia brasileira. Ele aproveitou para dizer que não há divergências entre ele e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

Para Meirelles, o presidente do BNDES tem feito de forma correta demonstrar sua preocupação com setores da economia mais afetados pelo comportamento do câmbio. Para Meirelles, o BNDES está cumprindo seu papel ao trabalhar para garantir que esses setores se adaptem ao novo momento e recuperem a competitividade dos seus produtos no mercado internacional.

Crédito

O crédito no Brasil ainda tem muito espaço para crescer, segundo Meirelles. "O crédito no Brasil vem crescendo a uma taxa de 20% ou um pouco mais ao ano", afirmou. Em março último, o crédito em relação ao PIB estava em 31%.

Meirelles ressaltou, entretanto, que a expansão do crédito gerou alguma dificuldade para os bancos, na medida que novos clientes passam a acessar a linha de crédito. Isso, de acordo com Meirelles, acaba por criar alguma dificuldade de análise da carteira de clientes. Para se defender desse problema, os bancos segundo Meirelles, costumam embutir nos seus spreads essa elevação de risco. O spread bancário é a diferença entre o custo de captação de recursos pelo banco e a taxa de juros cobrada nos empréstimos.

Compulsório

Os compulsórios no Brasil são elevados, de acordo com Meirelles. Ele, entretanto, destacou que o BC tem priorizado no momento a redução dos juros, em vez da queda dos compulsórios. "Uma coisa é concorrente com a outra", disse Meirelles. Para o presidente do BC, a redução dos juros tem sido avaliada como a mais eficiente para a economia. Ele destacou, entretanto, que no longo prazo o compulsório também tenderá a cair, na medida que os juros continuarem se reduzindo.