“A estabilidade econômica no Brasil gera benefícios para boa parte da população, sendo assim, a política econômica deve se manter em função do apoio político, independentemente do resultado nas urnas”.

Foi dessa maneira que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, esclareceu ontem uma das questões levantadas pelos empresários que acompanharam, em Curitiba, sua palestra “Responsabilidade Macroeconômica para o Crescimento” promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

Manutenção, aliás, foi a palavra-chave do evento e permeou boa parte dos temas abordados. Ao ser questionado, em rápida coletiva, se poderia continuar à frente do BC num provável futuro governo Dilma Rousseff (PT), Meirelles foi enfático: “não fazemos previsões sobre esse assunto”.

O presidente do BC disse, ainda, que a instituição está preparada para tomar todas as medidas necessárias para manter a taxa de inflação no centro da meta em 2011 e nos próximos anos.

Outro ponto levantado foi o câmbio e seus desdobramentos negativos tanto para as exportações, quanto para o mercado interno com a entrada de produtos importados. Meirelles foi categórico na defesa do câmbio flutuante, sobretudo, com o respaldo do aumento considerável dos estoques de reservas oficiais nos últimos sete anos.

“O regime de câmbio flutuante tende a normalização a médio prazo. Quanto ao dólar, devemos notar que não só o real, mas também outras moedas estão se valorizando pela conjuntura dos fatos que culminaram na crise da economia norte-americana”, apontou. “O Euro apresentou problemas, mas segue substancialmente valorizado em relação ao dólar”.

Nos próximos quatro anos, segundo Meirelles, o Brasil ingressará em um período onde as questões de longo prazo passarão a dar o tom de parte da política monetária.

Desafios de longo prazo

“Nossa economia está em um estágio de amadurecimento capaz de absorver choques internos e externos, com estabilidade macroeconômica e financeira e apresenta um crescimento sustentável financiado, em boa parte, pelos investimentos diretos, mas também pelo crédito e pelo desenvolvimento do mercado de capitais que se mostra como uma fonte cada vez mais usada pelo empresário brasileiro”, elencou.

Para ele, com esse panorama, o foco da política monetária nos próximos anos deverá ser na alavancagem da produtividade e da competitividade de todos os setores da economia e no acompanhamento do déficit em conta corrente. “O déficit em conta corrente não cresce de modo contínuo e o mercado começa a reagir a isso”, pontuou.

O presidente do BC previu, ainda, um crescimento expressivo do fluxo de investimentos externos não só pelo potencial do país, mas porque várias companhias já visualizam no Brasil um dos seus principais mercados.

“Com o aumento da confiança em nossa economia, passaremos a ver fundos internacionais investindo cada vez mais em nossas empresas, até mesmo de modo direto em instituições que não estão na bolsa”.