A proposta que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vai apresentar na segunda-feira (2) na reunião ibero-americana é de aumento da regulação do mercado financeiro internacional. “Faremos um resumo sobre a nossa avaliação a respeito da questão regulatória do sistema financeiro internacional, quais são os problemas maiores que acreditamos ter ocorrido e que geraram esta crise e quais são as medidas que julgamos necessárias para serem tomadas para isso”, disse Meirelles.

A reunião de um dia no Porto, em Portugal, tem como objetivo formular uma posição comum dos ibero-americanos – Brasil, Portugal, Espanha e os outros países da América de língua espanhola – para ser apresentada na reunião do G-20, que vai ocorrer em abril. Do encontro que se realiza em Portugal, apenas o Brasil faz parte do G-20. Meirelles comentou a reportagem publicada hoje no jornal O Estado de S.Paulo, que revela que a queda de arrecadação pode comprometer os programas de estímulo da economia: “Não há dúvida de que todos os fatores de arrecadação serão levados em conta pelo governo, mas certamente a posição do governo é fortalecida, inclusive em termos de finanças públicas.”

Ele explicou que o Brasil está enfrentando a crise em condições melhores do que no passado e em condições que são também relativamente vantajosas em relação a muitas outras regiões do mundo, o que não quer dizer que o País não tenha que enfrentar alguns problemas eminentes e que são consequência da crise global. “Um fator importante que dá maior segurança ao Brasil é o fato de termos uma posição de credores líquidos internacionais e uma posição de reservas internacionais elevadas.” Além disso, segundo ele, a crise e a consequente desvalorização cambial fizeram com que houvesse uma queda da dívida pública relacionada ao produto. “Uma dívida que era um pouco acima de 40% do produto hoje está ao redor de 36%. Então a posição financeira do Estado está fortalecida.”

Questionado a respeito da previsão de crescimento do país, afirmou que será superior à média da economia internacional. Ele disse que, de acordo com a previsão da maioria dos analistas, o Brasil deverá ter um crescimento acima da média mundial. “Não há dúvida de que está havendo e continuará ocorrendo, por um certo período, uma desaceleração, mas apesar disso o Brasil terá um crescimento este ano substancialmente superior à média mundial. Em relação a aspectos de inflação, estamos nos aproximando da reunião do comitê de política monetária e portanto não falamos especificamente sobre este assunto.”