Os analistas do mercado financeiro já esperam um corte maior na taxa de juros. A aposta é que a taxa Selic, hoje em 18% ao ano, será reduzida em 0,75 ponto percentual. Antes, a previsão era de um corte de meio ponto, segundo o relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central.

O corte maior – os anteriores foram de meio ponto – poderá acontecer na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC do ano, que começa hoje e termina amanhã.

Até o ano passado, as reuniões do colegiado eram mensais. A partir de 2006, passam a ocorrer a cada cerca de 44 dias.

Dessa forma, se for confirmado que no início deste ano o BC passará a cortar o juro em 0,75 ponto percentual em cada reunião, o resultado será o mesmo das reduções mensais de 0,5 ponto promovidas no final do ano passado.

Além do intervalo maior entre as reuniões, também contribui para a expectativa de cortes mais agressivos nos juros o desaquecimento da economia brasileira.

Após encolher 1,2% no terceiro trimestre, o PIB (Produto Interno Bruto) não deu sinais de reação nos meses seguintes.

Até o final deste ano, a previsão é que a Selic chegue a 15% ao ano em dezembro, mesma expectativa do levantamento divulgado na semana anterior.

Já as previsões sobre a inflação sofreram um leve aumento.

Os analistas esperam que o índice oficial de preços do governo, o IPCA, termine 2006 em 4,58%, contra 4,5% previsto anteriormente. A meta de inflação deste ano é de 4,5%, com um intervalo de dois pontos para cima ou para baixo.

A previsão para o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) passou de 4,50% para 4,55%. Já para o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) a expectativa passou de 4,58% para 4,65%.

A previsão para o crescimento da economia foi mantida. A pesquisa aponta para um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,5%.

Sobre o crescimento da produção industrial, a expectativa é de um crescimento de 4,05%, mesma previsão da semana anterior.

Já a projeção em relação ao superávit comercial – saldo positivo entre exportações e importações – passou de US$ 37 bilhões para US$ 38 bilhões.