O mercado financeiro passou a trabalhar com uma perspectiva menor de queda das taxas de juros neste ano. De acordo com a pesquisa semanal feita pelo Banco Central, as instituições financeiras acreditam que a taxa básica de juros só cairá mais um ponto percentual no restante de 2004, chegando a 15% ao ano em dezembro. Até a semana passada, a expectativa era de que a Selic cairia para 14,75%. Caso a hipótese dos 15% se concretize, a queda acumulada da Selic neste ano será de apenas 1,50 ponto percentual, já que no início do ano ela estava em 16,50%.

No primeiro ano do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os juros definidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) recuaram 10 pontos percentuais. No início deste ano, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, chegou a declarar que as taxas teriam espaço para chegar ao final de 2004 entre 12% e 13%, com queda de 3,5 a 4,5 pontos no ano. Apesar de prever juros mais altos do que o esperado, o mercado manteve, no entanto, a projeção de que a economia vai crescer 3,50% neste ano.

Uma parcela do mercado ainda acha que há espaço para elevações, acreditando que o IPCA deva fechar 2004 em cerca de 7%. Maior que os 5,5% do centro da meta oficial, a taxa estimada pelo mercado ainda se encontra, no entanto, dentro do intervalo de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo admitido no sistema adotado pelo governo. O BC tem reiterado que continua a perseguir os 5,5% do centro da meta.

Também subiram as expectativas do mercado para a inflação de 2005, que passaram de 5,46% para 5,50% (a meta oficial é de 4,5%). As estimativas de IPCA de 12 meses à frente, por sua vez, avançaram de 5,98% para 6,17%, enquanto a trajetória das metas indica que o percentual deveria estar em torno de 5%. A pesquisa do BC registrou ainda um aumento das previsões de IPCA para este mês de 0,56% para 0,63% e, para julho, de 0,76% para 0,82%. As projeções de reajuste dos preços administrados neste ano, por sua vez, subiram de 7,50% para 7,55%.