O Banco Central deve elevar a taxa de juros brasileira (Selic) entre 0,5 e um ponto percentual, durante reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que acontece entre hoje e amanhã. Pelo menos é essa a expectativa de economistas paranaenses, que apontam como necessária a elevação da Selic. Atualmente, a taxa é de 25,5%.

“O Banco Central deve arredondar em 26% ou aumentar em no máximo um ponto percentual, com o objetivo de trazer a inflação para perto da meta”, acredita a economista Geórgia Sarraff, gerente de renda fixa da Omar Camargo Corretora de Câmbio e Valores Ltda. A meta da inflação para 2003 é de 8,5%. “O conflito no Iraque colocaria em risco a meta da inflação, pelo conseqüente aumento do dólar e dos preços em geral”, aponta Geórgia, que considera o aumento da taxa negativo de um modo geral, mas necessário no momento.

Para o professor da Universidade Federal do Paraná e membro do Conselho Regional de Economia (Corecon), economista Luiz Vanberto Santana, a Selic poderia ser elevada em no máximo 0,5 ponto percentual. Mais do que isso, a medida traria mais pontos negativos do que positivos. “Aumentando em até 0,5 ponto percentual, o governo tentaria conter a inflação desestimulando os gastos, o consumo e atuaria sobre a lucratividade dos empresários. Mas se a elevação for maior, a medida tiraria o consumidor do mercado, especialmente aquele que paga em prestações”, analisa.

Para ele, o efeito da elevação de taxa de juros sobre o consumidor é psicológico. “Há um reflexo psicológico imediato. O consumidor aguarda para fazer seus gastos”, analisa o economista, que não vê o reajuste de preços como algo de todo negativo. “Não ë tão ruim, se comparado com o possível benefício que se tem com a redução das vendas, que implicam numa queda de preços”, aponta.

Aspecto político

Apesar da questão econômica – a contenção da inflação é um dos motivos para elevar a taxa de juros -, é o aspecto político que deve pesar no possível aumento, acredita Santana. “A alta é uma maneira de o governo demonstrar que está preocupado com a inflação”, acredita. Para ele, a elevação do juros é uma política de curto prazo. “Dentro de dois ou três meses, o governo já poderia partir para outras ações, como programas de estímulo às compras. Tudo depende de como vai ficar a economia com os efeitos de uma possível guerra.”

O presidente do Instituto Brasileiro Executivo de Finanças (Ibef), Amassir José Pansolin, também avalia como positiva a elevação da Selic em 0,5 a um ponto percentual. “Com a expectativa de guerra, o mercado fica agitado. Elevando os juros, o governo brasileiro mostra tanto para o mercado interno como principalmente para o mercado externo, que o País está atento ao nervosismo e não vai permitir que o mercado se desestabilize”, opina, acrescentando que são os fatores externos que mais pesam na oscilação econômica no Brasil. E aconselha que o consumidor freie seus gastos, tanto em se tratando de compras a prazo como à vista. “O melhor a fazer no momento é aguardar a estabilização do mercado externo.”

Empresários já aceitam aumento

Os empresários não querem novos aumentos de juros, mas sabem que poderão ter de aceitar mais uma elevação da taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que começa hoje. O presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, por exemplo, afirma que todo aumento de juros é ruim, mas reconhece que, no momento, toda cautela é pouca.

O diretor-presidente da Telemar, José Fernandes Pauletti aposta que haverá novo aumento da taxa Selic. “É o remédio que o governo tem utilizado”, disse, comentando que o BC tem se esforçado para evitar o risco de descontrole da inflação. “Isto gera expectativa de que o governo está atuando”, argumenta.

Já o presidente do conselho de administração da Companhia Suzano de Papel e Celulose, Boris Tabacof, prefere não apostar num risco de elevação da Selic. “Espero que isso não aconteça”, afirmou. O executivo explica que um aumento de 0,5 ponto na taxa básica acaba provocando uma elevação de três a quatro pontos porcentuais na ponta dos financiamentos para as empresas, que já pagam juros elevados para capital de giro e financiamentos.

Ceticismo

Economistas do centro do País são mais céticos com relação ao percentual que o Copom dará à Selic, na reunião do Copom que começa hoje. A maioria deles acha que a taxa de juros deve subir entre 1 e 2 pontos percentuais. Odair Abate, economista-chefe do Lloyds TSB, acredita que o comitê deverá promover um aumento entre 1 ponto e 1,5 ponto percentual. Já Tomás Málaga, economista-chefe do Itaú, disse que as variáveis econômicas atuais exigem uma elevação dos juros entre 1,5 e 2 pontos percentuais.