São Paulo

 – Um pequeno corte ou manutenção para a Selic na próxima reunião do Copom, dias 21 e 22, concentra o grosso das apostas no mercado. Contudo, entre analistas há quem defenda sugestões alternativas, com destaque para quatro: 1) a redução do empréstimo compulsório; 2) a utilização do viés de baixa com juros estáveis; 3) um corte mais forte na Selic, de 1 ponto porcentual; 4) o aumento dos juros.

A redução do compulsório sobre os depósitos à vista, explica o economista-chefe do ABN Amro, Mário Mesquita, alcançaria dois objetivos com um única decisão: incentivar o trabalho do governo na redução dos spreads bancários -que a Fazenda já anunciou terá o status de reforma estrutural -, ao mesmo tempo em que traz alguma folga para a atividade econômica, de maneira mais discreta do que aquele via corte dos juros. “O efeito psicológico de um corte da Selic é muito mais forte que o do compulsório, portanto mais arriscado”, avalia Mesquita. O risco, no caso, está em dar oxigênio a uma inflação que vem sendo alimentada pela inércia inflacionária.

Apesar do alívio registrado anteontem no IPC-Fipe, o economista lembra que o IPC-S da quinta semana de abril, que reflete melhor a abrangência nacional do IPCA, rodou acima de 1%. O mesmo ocorreu com o IPC do Rio de Janeiro de abril divulgado ontem. “O resultado de utilizar o compulsório é parecido com o dos juros, mas evitaria criar um clima de otimismo exagerado”, afirma o economista do ABN.

Embora ainda não tenham fechado sua posição para a decisão do Copom, os economistas do Unibanco vêm discutindo a opção de um viés de redução para os juros, um expediente utilizado nove vezes pelo Banco Central desde a adoção desse instrumento, em 1999.

O que acontecerá entre esta e a próxima reunião do Copom em junho que justifique tal medida? “A divulgação de índices referentes a maio que tragam maior conforto para o BC no tocante à velocidade dessa desaceleração inflacionária, bem como o tempo necessário para que se tenha uma avaliação mais precisa sobre o comportamento do câmbio. Por exemplo: se o câmbio vai consolidar essa relativa estabilidade dos últimos dias ao redor dos US$ 3,00”, responde o economista-chefe do Unibanco, Alexandre Schwartsman.

Na ala mais otimista, o economista-chefe do Banco ING, Marcelo Salomon, acredita que há espaço para um corte mais ousado – de 100 pontos – na taxa básica dos juros nesta próxima reunião do Copom. Considerando uma taxa “ex ante” para os juros reais a partir da Selic como juro nominal e das expectativas do banco para os 12 próximos meses para o IPCA, esses juros encontram-se hoje no nível aproximado de 16,9% ao ano.

Se cortar a Selic em 100 pontos, explica Salomon, o Copom estará apenas retornando essa taxa de juros reais para algo em torno de 16%, a mesma de março, quando as expectativas sobre a inflação eram maiores. “Ou seja, manteria-se o mesmo grau de restrição monetária de março (vale lembrar que não houve aperto adicional de lá para cá), com todos os efeitos positivos, inclusive os fiscais, de uma redução mais expressiva da Selic”, resume o economista do ING. Some-se a isso, diz ele, as perspectivas bastante positivas para a inflação em razão da queda no dólar e das reduções nos preços dos combustíveis e nos preços dos alimentos in natura. “Estamos vendo uma desaceleração recente num ritmo maior do que o esperado.”

Sempre mais cauteloso, o economista e ex-presidente do BC Affonso Celso Pastore sugere, em um informe publicado no fim de abril, o aumento nas taxas de juros como estratégia a ser adotada pelo Banco Central. Reconhece que se trata de uma opção politicamente controvertida, que também carrega desvantagens, mas que, a seu ver, no final das contas traz mais benefícios do que custos para a economia doméstica num horizonte de prazo mais largo.