Um mau humor generalizado nos mercados do mundo todo acertou em cheio os ativos brasileiros, que sofreram forte desvalorização ontem. O dólar à vista fechou em alta de 1,13%, cotado a R$ 2,948 na compra e R$ 2,950 na venda. É o seu maior valor desde 20 de fevereiro. O risco-País brasileiro subia 7,02% no final da tarde, atingindo 670 pontos-base, o maior desde outubro do ano passado. A Bovespa desabou quase 4% (fechou em queda de 3,95%). Pelo menos três fatores derrubam o mercado: a queda dos títulos dos países emergentes com a previsão de alta do juro nos EUA, a tensão geopolítica com a violência no Iraque e o risco de uma mudança na política econômica do governo Lula.

O calendário econômico favorece o movimento especulativo: hoje será divulgado o dado revisado do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no trimestre e, na próxima terça-feira, haverá reunião do Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano). Se o crescimento PIB superar as projeções dos economistas (5%), haverá um dado concreto para justificar uma alta do juro americano, a fim de esfriar a economia.

Uma alta do juro nos EUA, que encarece o crédito e inibe o crescimento dos lucros das empresas, tende a prejudicar o mercado global de ações. Há ainda o temor de uma fuga de capital dos países emergentes, já que os títulos dos EUA ficam mais atrativos com a alta do juro.

Há ainda as preocupações com a segurança mundial. Nesta quarta-feira, os EUA voltaram a bombardear a cidade de Fallujah, a 50 km oeste de Bagdá, considerada o principal foco de resistência à ocupação americana no Iraque.

O mercado aguardou com expectativa o anúncio oficial do novo valor do salário mínimo que entra em vigor no próximo sábado. Circularam rumores de que o presidente Lula está preocupado com a insatisfação social e pretende elevar o mínimo dos atuais R$ 240 para R$ 270, um pouco acima do valor antes cogitado (R$ 260), embora abaixo do reivindicado (mais de R$ 300) pelas centrais sindicais.

Na última segunda, o presidente foi vaiado e ouviu protestos de metalúrgicos em São Bernardo do Campo, berço político de Lula. Há o temor entre os credores do País de que o presidente Lula abandone o aperto fiscal e abra as “torneiras” dos cofres públicos para reduzir as pressões sociais e de sua base aliada, em um ano eleitoral.