São Paulo 

– Levantamento preliminar feito pela Agência Estado com um grupo de 10 economistas de bancos mostra que as apostas para uma redução na taxa de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de outubro concentram-se em 1 ponto percentual. O comitê se reúne na semana que vem, nos dias 21 e 22, e se a aposta majoritária do mercado for sancionada, a taxa básica de juros recuará dos atuais 20% ao ano para 19%, completando, assim, uma rodada de cinco meses consecutivos de corte na Selic.

Dos 10 analistas consultados, apenas o economista-chefe do Banco Schahin, Cristiano Oliveira, espera uma taxa de corte de 1,5 ponto percentual, o que reduziria a taxa de juros de referência para a economia brasileira de 20% para 18,5% ao ano. Oliveira recorda o teor da ata da última reunião do Copom, que expressou um caráter bastante conservador. Mas cita um elenco de fatores, que na hora da decisão do Copom poderão atuar como contraponto ao conservadorismo, como o cenário favorável de dólar, tanto no mercado à vista como no futuro, a redução das expectativas de inflação, por conta do câmbio, o recuo da taxa de risco-País, além de a elevação do núcleo do IPCA do mês passado estar diretamente atrelada a fatores sazonais, como entressafra e reajuste de tarifas.

“Nossa expectativa é de que a taxa de juros no encerramento do ano esteja em 17% ao ano, embora não descartemos 16,5%”, diz Oliveira. O Departamento Econômico do Schahin trabalha com a continuidade do processo de redução da Selic no decorrer do primeiro semestre do ano que vem até 14, 5%.

O economista-chefe do Banco BNL do Brasil, Everton Gonçalves, projeta para a semana que vem uma redução de 1 ponto percentual na taxa de juros básica. “Trabalho com um corte de 100 pontos-base, apesar de a taxa de risco-País ter caído bastante”, diz Gonçalves. Para ele, o BC deverá manter-se conservador porque os indicadores de inflação criaram um certo incômodo em setembro. “Não é nada de assustador, mas sempre fica algum receio”, diz o economista do BNL.

Para ele, pelo discurso que o BC tem feito, de não querer contribuir para o aumento da volatilidade, a redução não será superior a 1 ponto percentual. “Além disso, chega um momento que a taxa de juros começa a ter limites. Para o final do ano trabalhamos com uma taxa de 17% ao ano”, diz Gonçalves.

O economista-chefe do Banco Safra, Eduardo de Faria, defende o mesmo argumento. Segundo ele, o BC só cortará 1 ponto percentual da atual taxa básica de juros porque daqui para frente a tendência é de uma sintonia fina no que diz respeito à política monetária. “Imaginamos que a Selic encerrará o ano em 17%, resultado de três cortes de 1 ponto percentual”, diz o economista do Banco Safra. À medida que a taxa de juros vai atingindo um patamar mais baixo, a tendência é de cortes menores”, diz Faria.