Brasília (ABr) – As expectativas dos maiores bancos e consultorias sobre os rumos da economia apontam alta da inflação e menor redução da taxa básica de juros (Selic) no ano. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que regula as correções oficiais, aumentou de 5,95%, na semana passada, para 6%, conforme o Boletim Focus distribuído ontem pelo Banco Central.

Retornou, portanto, à perspectiva do início do mês, em decorrência das evoluções anotadas pelas pesquisas de preços no atacado, que tiveram correções maiores que no mês de fevereiro. Com isso, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu de 7,34% para 7,50% e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de 7,17% para 7,38%. Ambos cresceram em torno de um ponto percentual no mês.

Com a redução de apenas 0,25 ponto percentual da taxa Selic, determinada na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada, os consultores e analistas financeiros pesquisados pelo BC se mostraram mais pessimistas quanto à redução dos juros. No início de março eles apostavam numa taxa de 13,75% ao ano, no final de 2004. Mas, diante da parada do processo de flexibilização da Selic nos meses de janeiro e fevereiro, aumentaram a expectativa para 13,84% na semana passada, e agora para 14%.

As perspectivas são positivas, porém, no que se refere à balança comercial, que vem mantendo o bom comportamento registrado em 2003. Por isso, a probabilidade de repetir o saldo de US$ 24,8 bilhões do ano passado aumenta a cada semana. As expectativas de saldo no ano eram de US$ 20,9 bilhões, no início de março; aumentaram para US$ 23 bilhões na semana passada e agora a estimativa é de US$ 23,15 bilhões.

Esse comportamento faz crescer, também, as estimativas de saldo em conta corrente. O mercado previa, no início do ano, que o saldo seria deficitário em US$ 4 bilhões, este ano, revertendo o saldo positivo de 2003, depois de 12 anos de sucessivos déficits. No entanto, a boa performance da balança comercial zerou as expectativas de saldo negativo, na semana passada, e pela pesquisa atual já registra perspectiva de saldo positivo de US$ 330 milhões no ano.

Caiu, porém, a projeção sobre investimentos estrangeiros diretos, em virtude de componentes políticos alheios ao mercado. A expectativa de entrada de US$ 12,50 bilhões de recursos externos no setor produtivo nacional baixou para US$ 12,10 bilhões. A projeção quanto ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) cai gradativamente. Era de 3,70%, no início do mês, desceu a 3,56%, na semana anterior, e agora está em 3,54%. Tudo isso num cenário em que o câmbio não ultrapasse R$ 3,05.