São Paulo  – A taxa básica de juros deverá sofrer um corte de 1,50 ponto porcentual, de 26% ao ano para 24,5%, segundo a maioria dos analistas consultados pela Agência Estado. O Comitê de Política Monetária (Copom) encerra hoje a sua reunião de julho, iniciada ontem, com a definição do nível de juros que será a referência para a economia nos próximos 30 dias. 

De um total de 32 instituições consultadas, 18 delas, ou 56,25%, apostam na redução de 1,50 ponto. Outros seis analistas projetam um corte maior, de 2 pontos porcentuais, 5 trabalham com a possibilidade de um corte de 1 ponto porcentual, 2 esperam uma queda entre 1 e 1,50 ponto e uma instituição trabalha com uma taxa de 1,50 a 2 pontos de corte.

“Mais importante que o nível de corte da taxa é o indicativo de que a taxa de juros está realmente caindo”, pondera o economista Cristiano Souza, da MB Associados. Ele trabalha com a previsão de um corte de 1,5 a 2 pontos na Selic. De acordo com Souza, se o BC cortasse mais do que o previsto seria melhor, mas ele mesmo emenda, acrescentando que as medidas do BC são tomadas sobre uma base sólida de preucações.

O economista-chefe da Unibanco Asset Management (UAM), Alexandre Mathias, está entre a maioria dos economistas que prevêem um corte de 1,5 ponto porcentual. Ele também acredita que já há espaço para que o Copom promova uma taxa maior de corte na Selic. Contudo, diz Mathias, o Banco Central deverá manter sua política gradualista. “O cenário atual projeta uma taxa de 20% de juros ao ano, mas a queda para se chegar a este nível não deverá ser feita de forma abrupta”, diz o economista da UAM.

Velocidade

“Espaço para cortar 2 pontos o Copom já tinha há um mês”, afirma o economista-chefe do Banco Fibra, Guilherme da Nóbrega. Segundo ele, na reunião passada do Copom, o Banco Central já tinha sinais de queda da inflação, mas tinha também dúvidas em relação à velocidade. “Mas de um mês para cá, houve a confirmação de que a trajetória da inflação era mesmo de queda. Os números vieram abaixo do necessário para um corte maior de juros”, diz Nóbrega, que defende uma redução de 2 pontos porcentuais na taxa de juros para 24% ao ano.

De acordo com ele, a inflação presente está muito baixa e isso influencia as expectativas. “É possível que já tenhamos inflação de um dígito já este ano”, diz o economista do Banco Fibra.

Para o sócio-diretor da Rosenberg Associados, Dirceu Bezerra Júnior, o corte será de 2 pontos porcentuais, mas segundo ele, há espaço para que o Copom promova uma redução ainda maior.

Conservador

As reformas que, embora estejam andando, não foram votadas ainda, devem atuar como uma espécie de freio para a queda de juros, afirma o economista da ClickInvest, Flávio Barros. Além disso, diz ele, o BC deverá se manter conservador para manter sua credibilidade. “A inflação caiu justamente por causa das medidas do BC até agora, mas tem de se considerar as reformas”, diz Barros, que defende um corte de 2 pontos na taxa de juros.

“Decisão do Copom vai agradar”

Belo Horizonte

– O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse ontem que “o mercado não vai se decepcionar” hoje com o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). A aposta generalizada é pela redução da taxa básica dos juros, a Selic, que atualmente está em 26% ao ano.

“A minha expectativa, e acho que é a expectativa de todas as torcidas do Brasil, é de que o Copom decida pela redução da taxa de juros”, afirmou o ministro, que participou em Belo Horizonte do Fórum da Participação Social-Minas, que debateu o Plano Plurianual – PPA 2004-2007.

Furlan destacou que há espaço para a redução da Selic e confia que o Copom será “sensível” às atuais condições macroeconômicas. “Eu acho que as pré-condições para a queda de juros estão aí colocadas. O ministro (da Fazenda, Antônio) Palocci tem reafirmado em várias ocasiões e há uma expectativa nacional e internacional de que os juros caiam. Certamente, o Copom, tecnicamente, vai analisar e vai ser sensível a esses números que estão aí dados”, afirmou.

Questionado sobre o tamanho da redução, o ministro preferiu não opinar. “Vai depender da área técnica do governo, mas eu acredito que o mercado não vai se decepcionar”, salientou.