São Paulo  – A segunda-feira foi tranqüila e de poucas oscilações no mercado de câmbio, onde o dólar à vista fechou estável, cotado a R$ 2,909 na compra e R$ 2,911 na venda. O dia foi de poucas notícias importantes para o mercado e o fluxo cambial ficou perto do equilíbrio. Beneficiado pela baixa nos juros dos títulos norte-americanos, o C-Bond subia 0,33% no final da tarde, cotado a 93,81% do seu valor de face.

A Bovespa operou em queda durante todo o dia. No final da tarde, no encerramento do pregão, registrava queda de 1,24%, movimento financeiro de R$ 734 milhões com 21.323 pontos. As ações da Embratel foram o destaque negativo do dia, com quedas significativas. As ações ordinárias caíram 2,96%, enquanto as preferenciais recuaram 2,63%, em reação aos desdobramentos da disputa pelo controle da empresa.

Um leve aumento nas remessas de recursos no segmento financeiro (que exclui o comércio exterior) impediu uma queda do dólar, já que as exportações continuaram superiores às importações. A balança comercial brasileira teve superávit de US$ 690 milhões na quarta semana de abril, confirmando o fluxo cambial positivo dos últimos dias. No acumulado do ano, o saldo é de US$ 7,678 bilhões.

– As exportações continuam valentes e não deixam o mercado desandar. Mantida a tendência da balança, ela vai ajudar o País a não precisar de dinheiro extra para fechar as contas deste ano. Com isso, o País tem mais chances de reduzir o endividamento em dólar e alongar o perfil de suas dívidas – disse João Medeiros, diretor da corretora Pioneer, uma das maiores de São Paulo.

Segundo Medeiros, as chances de um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros norte-americanos abalarem a economia brasileira são pequenas. Para ele, as principais dúvidas do mercado ainda estão na questão política, com a cautela diante do chamado ??fogo amigo??, que recentemente trouxe volatilidade aos mercados.

Ainda no cenário interno, o mercado aguarda a definição do salário mínimo, que deve sair até quarta-feira. Os índices de inflação também serão monitorados de perto, já que são a principal referência do Banco Central na definição dos juros básicos da economia. Hoje sai a prévia do IPC-Fipe, cujas apostas variam entre 0,10% e 0,15%. Também sai hoje o IPCA-15 de abril, que deve ficar em torno de 0,40%, segundo analistas.

As projeções dos juros negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fecharam ontem perto da estabilidade, com leve indicação de alta. O Depósito Interfinanceiro (DI) de junho, que leva em conta as apostas para a taxa Selic de maio, fechou com taxa anual de 15,69% ao ano, contra 15,68% do fechamento de sexta-feira. A taxa mostra que as apostas ainda são de manutenção da taxa Selic no mês que vêm. A taxa é hoje de 16% ao ano. O DI de julho fechou com taxa de 15,62%, estável. O vencimento de janeiro, o mais negociado, teve a taxa elevada de 15,46% para 15,48% anuais.