São Paulo

(AG) –  O dólar comercial terminou em alta de 0,79%, cotado a R$ 2,534 na compra e R$ 2,536 na venda. O dia parecia tranqüilo na abertura dos negócios, mas em pouco tempo o nervosismo se instalou no mercado. Ainda pela manhã a moeda americana atingiu a máxima de R$ 2,56 na ponta de venda, com valorização de 1,75% sobre o real. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou nesta segunda-feira em baixa de 1,57%, com o Índice Bovespa em 12.659 pontos.

A pressão no câmbio foi exercida essencialmente pelas tesourarias bancárias em movimentos considerados especulativos. Vários foram os fatores apontados para justificar a maior procura por moeda estrangeira. Entre eles estavam a intervenção do governo na Previ (veja reportagem na página 24), as perdas com os ajustes dos fundos de investimento e a nova alta do risco-Brasil, que voltou a bater os 1.000 pontos. O relatório do banco de investimento JP Morgan, desaconselhando as aplicações na Bovespa, foi forte fator de nervosismo na hora do almoço.

“O fluxo cambial ficou negativo pela manhã, o que piorou o quadro. As tesourarias bancárias estavam ávidas por notícias novas, que não vieram. À tarde, com o restabelecimento do fluxo comercial, os ânimos se acalmaram”, disse Francisco Gimenez Neto, diretor da corretora NGO, que não crê que muitas operações de ‘hedge’ tenham sido feitas em função das perdas com as regras de marcação a mercado impostas pelo Banco Central. Com todo esse alvoroço, os investidores praticamente ignoraram a pesquisa Vox Populi, que no fim de semana apontou aumento das intenções de voto ao tucano José Serra e queda do petista Luiz Inácio Lula da Silva.

No mercado de juros futuros, o dia foi de queda nos vencimentos mais curtos, devido à aposta no corte da taxa Selic na reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom). Os vencimentos mais longos, no entanto, se ajustaram para cima. O Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2003, o mais negociado, subiu de 18,56% para 18,60% ao ano.

Morgan

O banco de investimentos norte-americano JP Morgan reduziu ontem a recomendação de investimento em ativos brasileiros devido a preocupações quanto ao resultado das eleições presidenciais de outubro e seu impacto no futuro da política econômica do país. A recomendação do JP Morgan, que foi um dos motivos para a piora dos mercados de capitais brasileiros, soma-se a uma série de polêmicos relatórios de investimento divulgados recentemente por bancos estrangeiros, mencionando temores eleitorais, em especial o avanço da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

O banco norte-americano rebaixou os ativos brasileiros, até então ligeiramente recomendados (“modest overweight”), para neutro, ao mesmo tempo em que aconselhou mais investimentos no Chile. “Os percentuais de apoio e rejeição a Lula nas recentes pesquisas eleitorais têm sido consistentemente melhores do que nós esperávamos”, justificaram os analistas do banco em relatório. O JP Morgan não vê elementos suficientes para que o candidato governista, o ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB), ganhe força nas pesquisas de intenção de voto, “dado o potencial muito limitado de uma forte recuperação do índice de pobreza no país no curto prazo”.

O banco ponderou que a candidatura de Serra pode ser beneficiada por um “provável” corte dos juros básicos da economia nas próximas semanas e pelo início da propaganda eleitoral gratuita na TV. O Morgan advertiu que há possibilidade de mais quedas nos preços dos ativos brasileiros, caso a candidatura de Lula continue forte ou cresça nos próximos meses.