Cerca de 130 mergulhadores de águas profundas (entre 50 e 300 metros de profundidade) que prestam serviços para a Petrobras entraram em greve por tempo indeterminado desde sexta-feira passada. Esses mergulhadores estavam trabalhando no acoplamento de dutos de gás para o Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos e na instalação de válvulas próximo ao Campo de Merluza, também na Bacia de Santos, segundo o mergulhador Rafael Pereira da Silva, terceirizado da Petrobras desde 2002. A Petrobras informa que “não foi afetada em nenhuma atividade da área” e que “a pauta de reivindicação dos mergulhadores diz respeito às empresas empregadoras, Fulgro e Acergy”.

Os mergulhadores profundos, como são chamados os trabalhadores dessa categoria, têm três reivindicações principais: reajuste na chamada Indenização por Desgaste Orgânico (IDO), que é quanto os mergulhadores ganham por hora enquanto permanecem numa câmara hiperbárica (uma espécie de um submarino pequeno, um pouco maior que uma van de transporte coletivo). Eles podem permanecer numa câmara, que comporta até seis pessoas, por até 28 dias ininterruptos.

Atualmente, o valor da IDO é de R$ 26, mas a categoria pede R$ 40 por hora, segundo o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Atividades Subaquáticas e Afins (Sintasa), Mário César da Silva. Outra reivindicação dos mergulhadores profundos é o reajuste de 23% na diária de embarque, para R$ 150. Com isso, eles querem unificar duas diárias: a de superfície (para mergulhadores que não estão mergulhando mas ajudam na operação) e de saturação (para quem está mergulhando). Ou seja, a categoria quer que a diária seja a mesma para quem está na superfície e mergulhando, o que não ocorre hoje.

A terceira reivindicação dos mergulhadores profundos, segundo o sindicalista, é a homologação do pagamento mensal do salário integral para todos os mergulhadores, tanto para os profissionais que estão em casa ou para quem está mergulhando. Segundo ele, as duas a Fulgro e a Acergy já cumprem com essa medida, mas temem que ela possa ser descumprida. Neste caso, os mergulhadores que não estão embarcados poderiam receber apenas o piso salarial.

Silva diz que as duas empresas ofereceram pagar R$ 32 pelo IDO retroativo a 1º de julho e R$ 35 a partir de setembro. Também ofereceram 6% de reajuste na diária de embarque. As contrapropostas, porém, foram negadas pelo sindicato. O salário base da categoria, para um mergulhador com cinco anos de experiência, por exemplo, está em torno de R$ 1,4 mil. Com os adicionais, sua renda pode chegar a quase R$ 8 mil.

O Sintasa informa que os mergulhadores profundos não receberam o dissídio coletivo do ano passado. As empresas ofereceram reajuste calculado com 80% do INPC, mas a categoria pede a correção salarial com 100% do valor do INPC de 2008.