Uma proposta entre nações do G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo) que tem como meta cortes nos desequilíbrios em conta corrente, destinada a evitar uma “guerra cambial”, está enfrentando oposição de grandes países exportadores. A Coreia do Sul, que sedia a reunião de ministros de Finanças e representantes de bancos centrais do G-20, e os Estados Unidos defendem a ideia de compromissos para reduzir os superávits e os déficits abaixo de níveis específicos.

Essa seria uma forma de fazer países como a China – que resistem a assumir compromissos com relação à política cambial – concordarem em estabelecer metas com o objetivo de “reequilibrar” o crescimento global, dependendo menos dos consumidores norte-americanos. No entanto, Japão e Alemanha, cujo modelo de crescimento liderado pelas exportações gerou grandes superávits comerciais, estão se opondo à proposta na reunião do G-20.

“A ideia de estabelecer metas numéricas é irrealista”, afirmou o ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda. O Japão e a Alemanha dizem que seus governos não podem determinar soluções macroeconômicas que são, em boa parte, resultado da atividade de empresas privadas e indivíduos. “A crença tradicional do Japão é a de que (…) embora os saldos fiscais possam ser controlados por meio de políticas, os saldos comerciais e em conta corrente não podem”, disse uma fonte ligada ao governo japonês.

Segundo essa fonte, a oposição de Tóquio também provavelmente reflete a preocupação de que um acordo para limitar o superávit japonês envolva permitir que o iene se valorize. O Japão interveio no mercado de câmbio em setembro, pela primeira vez em seis anos, mas a moeda do país se fortaleceu novamente e, agora, está perto de níveis recordes de alta ante o dólar.

Berlim, por sua vez, afirma que não é legalmente capaz nem filosoficamente inclinada a interferir em sua economia da forma necessária para cortar o superávit. O Bundesbank, o banco central do país, argumenta que é natural para países com população em envelhecimento economizar mais do que investir, embora críticos digam que os alemães mais velhos não mostram sinais de que vão sacar essas economias quando se aposentarem.

Um documento interno do Banco da França (o banco central francês) identificou importantes obstáculos para a proposta, afirmando que ela é “analiticamente e economicamente falha”. No entanto, como ela dá flexibilidade política e garante consistência entre as economias, “pode contribuir para apaziguar as tensões sem comprometer ninguém com uma política de taxa de câmbio específica”.

“Isso pode explicar porque a China e os EUA parecem concordar nesse estágio da proposta”, diz o documento francês, acrescentando que há “forte hostilidade de outras economias com superávit, como Alemanha, Japão, Canadá e a Comissão Europeia”. As informações são da Dow Jones.