Quase 13 mil metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana iniciaram ontem uma nova mobilização conjunta. Dessa vez, a intenção é garantir à categoria propostas vantajosas de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), ao menos nas principais empresas da região.

Durante o dia, várias paralisações foram realizadas ou iniciadas, já que algumas estavam previstas para durar 24 horas. Para o sindicato dos trabalhadores, o bom momento do setor justifica exigências maiores. Em pelo menos duas unidades, há chance de greve.

Além do aquecimento do mercado automotivo e de máquinas e equipamentos, os metalúrgicos da região estão usando como parâmetros para as exigências, acordos que vêm sendo realizados na região paulista do ABC. A categoria cita como exemplo a Ford, que fechou na última semana uma PLR de R$ 9 mil para cada empregado.

“A produção nas montadoras praticamente dobrou no último ano”, informa o diretor de Mobilização do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Nelson Silva de Souza.

O sindicalista lembra, ainda, que os salários na Grande Curitiba são 20% a 30% menores que no ABC paulista. “Produzir aqui é mais barato. As PLRs tinham que ser até melhores aqui. Nossas propostas são com os pés no chão. Temos dados matemáticos, técnicos e políticos na mão”, afirma.

Na Renault, em São José dos Pinhais, os cerca de 3,5 mil funcionários não aceitaram uma primeira proposta da empresa, apresentada no início da semana, de pagar R$ 6.156.

Uma nova proposta contemplava uma divisão em duas parcelas, sendo a primeira, de R$ 4.750, a ser paga já na próxima semana. O segundo pagamento dependeria de metas: com 100% dos objetivos atingidos, o PLR total chegaria a R$ 7,5 mil.

Os metalúrgicos, porém, recusaram a proposta, pois além de considerarem algumas metas inatingíveis, querem participação igual à oferecida pela Ford, em São Paulo.

Em protesto, eles decidiram paralisar as atividades por 24 horas – período suficiente para a fabricação de 700 automóveis e 60 utilitários. Através de sua assessoria, a direção da Renault se disse surpresa, já que sentiu que a proposta tinha sido bem recebida inicialmente.

Na Volkswagen, também em São José dos Pinhais, os 2,9 mil trabalhadores ameaçam parar durante o fim de semana, caso a montadora não apresente proposta de PLR.

A exigência é de que, no mínimo, seja oferecido o mesmo valor prometido na unidade de São Bernardo do Campo (SP), de R$ 4,3 mil na primeira parcela, com a segunda a ser discutida no futuro. O SMC avisou que a possibilidade de greve na unidade “é grande”.

CIC

Impasses nas negociações também estão ocorrendo na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Na Volvo, os 2,8 mil trabalhadores reivindicam R$ 10 mil de PLR. Na Case New Holland, uma proposta de R$ 3,8 mil, com metade paga adiantada, foi recusada ontem.

A exigência é de pelo menos 80% do que for acertado nas outras montadoras. Na Bosch, os 3,5 mil metalúrgicos querem 80% do acordo fechado em São Paulo. De acordo com o SMC, a chance de greve na fábrica, na semana que vem, também é alta.