A demissão de 900 dos cerca de 4 mil pessoas da unidade de Curitiba da Bosch, na Cidade Industrial, anunciada num comunicado oficial da empresa ontem (18), foi uma decisão precipitada na avaliação do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC).

A entidade informou que está protocolando na manhã de hoje (19) um pedido para que o Ministério Público do Trabalho intervenha e convoque uma mesa redonda para que sejam negociadas alternativas às demissões.

À tarde, o sindicato entra com liminar no Ministério do Trabalho pedindo que todos os demitidos sejam contratados, mesmo provisoriamente, até que sejam negociadas outras alternativas com a direção da empresa.

O presidente do sindicato, Sérgio Butka, lamentou as demissões e disse que para ele foi uma surpresa. “As negociações estavam sendo feitas desde o início do mês, mas as propostas que foram sugeridas pelo sindicato não foram aceitas”.

Mais 3 mil funcionários da empresa estão em licença remunerada até o dia 28 deste mês. A crise econômica foi o motivo das demissões, segundo o comunicado da empresa. A Bosch alega que foi afetada pela queda de 40% nas exportações para os Estados Unidos, Europa e Ásia desde outubro do ano passado.

A maioria dos demitidos trabalhava no setor de produção. Segundo a empresa, com a queda das exportações, destino da metade do que é produzido na unidade, os estoques estão altos, não sobrando, de acordo com a empresa , outra alternativa, senão a demissão.

A unidade da Bosch na Cidade Industrial produz peças para motores movidos a diesel. As unidades fabris da Bosch no Brasil, localizadas em Campinas (SP), em Curitiba (PR) e em Aratu (BA), empregam juntas mais de 11 mil pessoas.