Frente de lavra em rocha calcária, na
região de Colombo, totalmente abandonada.

Um plano montado pela Mineropar de forma inédita no Brasil, aplicando tecnologias avançadas de geoprocessamento em Sistema de Informações Geográficas, mostra toda a potencialidade mineral da Região Metropolitana de Curitiba. Resultado de dois anos de pesquisa, o Plano Diretor de Mineração (PDM) será lançado terça-feira (28) pelo governo do Paraná e vai ajudar a direcionar investimentos no setor.

A Mineropar é uma empresa vinculada à Secretaria da Indústria, Comércio e Assuntos para o Mercosul. Segundo o diretor da empresa Eduardo Salamuni, o plano traz um mapeamento geológico de toda grande Curitiba e apresenta propostas de soluções para os conflitos que ocorrem entre a atividade mineral e outras formas de uso e ocupação do solo, tais como a urbanização e a preservação ambiental.

“O plano oferece subsídios para uma política do setor mineral, contribuindo para a fiscalização e a regularização da mineração informal e, nos aspectos ambientais, visa preservar reservas e áreas potenciais para mineração, garantindo o suprimento sustentado de bens minerais, principalmente os de uso na construção civil”, explica Salamuni.

Modelo

De acordo com o diretor geral do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), Miguel Nery, a experiência do Paraná será adotada por outros estados. “O plano usou uma tecnologia que vai contribuir para o acompanhamento da evolução de planos diretores de mineração em outras regiões metropolitanas, afirma .

O plano também será utilizado pela Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) para balizar o Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI) da RMC. O estudo está sendo entregue para órgãos federais, estaduais e prefeituras. Resultado de dois anos de pesquisa, o plano tem como base mapas geológicos e estudos da Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), da Comissão da Carta Geológica do Paraná, do DNPM e da Petrobrás.

Retrato

Com o lançamento do plano, a Região Metropolitana de Curitiba vai ganhar um retrato fiel de seu setor mineral. O estudo permite, a partir de uma base de dados digitais georefenciados, apurar as potencialidades minerais da região. São dados da economia mineral e do macrozoneamento da atividade da mineração, incluindo informações da ocupação urbana crescente e dados sobre as unidades de conservação existentes.

O levantamento possibilitou a quantificação de informações até então pouco conhecidas. Através dos dados coletados, é possível afirmar que na RMC situa-se a segunda maior reserva de calcário do Brasil, o que poderá proporcionar a instalação na região de um dos maiores parques cimenteiros da América Latina.

A região também possui a maior jazida de fluorita do País, um minério usado na indústria de tintas e fármacos, através de compostos à base de flúor. O chumbo, encontrado no Vale do Ribeira, é outro minério com as maiores quantidades do Brasil, porém, como não encontra preço no mercado, sua exploração foi abandonada.

Ainda pode ser citada a extração de rochas ornamentais, mármores e granitos, além dos minérios constituintes dos agregados para construção civil, como areia, argila, cal e pedra brita. A RMC também possui uma jazida de ouro. Com as primeiras lavras superficiais do metal precioso, abertas na década de 80 e hoje já quase exauridas, atualmente há uma mina subterrânea no município Campo Largo.

Região tem 721 jazidas minerais

Hoje existem 721 jazidas na Região Metropolitana de Curitiba, Desse total, 439 estão abandonadas ou paralisadas, 260 ativas, 12 em implantação e 10 não sendo passíveis de classificação. Aproximadamente 77% das jazidas (555) estão concentradas em apenas 20% dos municípios, principalmente em Colombo, Campo Largo, Rio Branco do Sul, Almirante Tamandaré, Cerro Azul e ao Sul de Curitiba.

Das 260 frentes ativas, as substâncias de maior representatividade são o calcário dolomítico (70), o granito (40), o quartzito (30), o migmatito (25), a areia (19) e a argila vermelha (15). O principal minério lavrado é o calcário dolomítico, muito utilizado como corretivo agrícola para a agroindústria parananense, com 36,6% das frentes de lavras. Em termos de destinação dos bens minerais, os principais são pavimentação e cimento (29,1%), corretivo agrícola (11,8%), cal (11,4%) e brita (11,0%).

Dos 399 municípios paranaenses, 187 são produtores de minério, em sua maioria de não-metálicos. Cerca de 60% da produção encontram-se na RMC. A média da arrecadação da produção mineral na Região Metropolitana de Curitiba é de R$ 131 milhões ao ano e conta com uma produção de 21 milhões de toneladas/ano. A atividade gera mais de 25 mil empregos diretos e indiretos na grande Curitiba.

Dos bens produzidos no Paraná, a região metropolitana responde pela totalidade do calcário calcítico, por 87% do granito, 72% calcário dolomítico, 49% da argila, 37% do cascalho e 31% da areia. Um dos setores que mais se beneficiam da extração mineral desenvolvida na RMC é o da construção civil.

Com o PDM, é possível subsidiar novas políticas minerais e promover a regularização da mineração informal. O conteúdo deverá auxiliar o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), principalmente para o rigor nas fiscalizações em lavras irregulares e às ações de planejamento desenvolvidas pela Comec.