O envolvimento das centrais sindicais e das entidades patronais com as eleições levou o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, a prorrogar por 60 dias a instalação do Conselho de Relações do Trabalho (CRT). De acordo com ele, tanto as centrais quanto os empregadores ainda não indicaram os nomes que desejam ver como seus representantes nesse conselho. “Faltam indicações dos trabalhadores e dos empregadores. É do momento: todo mundo está envolvido na eleição”, justificou.

Inicialmente, os representantes tinham até a última sexta-feira para se manifestarem. Pela regulamentação da lei que trata do Conselho, são dois nomes de cada uma das partes. “Estou prorrogando para os que não apresentaram terem mais tempo, para não parecer que estou querendo impor”, argumentou. Com isso, o CRT deve ser formado até 1º de dezembro.

Lupi salientou que a criação do conselho foi uma reivindicação das centrais logo no início do governo Lula. Indagado sobre o motivo que levou o governo a aceitar o pleito apenas agora, oito anos depois, ele jogou a responsabilidade para os representantes dos trabalhadores. “Não é fácil negociar com central sindical”. Lupi também foi confrontado com a hipótese de na prática o conselho só existir a partir do próximo governo. “Mas vou sair (do MTE) com a criança pronta. Vou deixar para outros (próximos ministros) a responsabilidade de ensinar a andar, a falar etc.”, brincou.

O ministro evitou apontar um tema que possa ser escolhido para a primeira reunião. “Vai ter tanta pauta, que vai ser difícil começar com a primeira”, desconversou. Em seguida, enumerou alguns dos pontos que devem permear o debate entre os trabalhadores, empresários e o governo, como o futuro da unificação do sindical, o critério para representação das centrais sindicais, a questão do imposto sindical e dos serviços sociais patronal.

Perguntado sobre a necessidade da participação do governo nestes tipos de debate, Lupi foi categórico. “O governo existe tem para esse fim: é o fiel depositário das relações entre patrão e empregado. Este é nosso papel. Se não, não haveria razão de o Ministério existir”, afirmou.